Em algum momento você já se perguntou rumo os dinossauros teriam se o asteroide que foi responsável pela extinção não tivesse atingido a Terra? Um novo estudo publicado na revista científica Nature Communications responde como os dinossauros viviam antes da colisão e se eles teriam chance de sobreviver sem esse evento. 

Foram longos cinco anos para coletar todas as informações de seis famílias de dinossauros que os pesquisadores estavam interessados. Eles dividiram os achados em dois grupos, sendo três pertencentes aos carnívoros (Tyrannosauridae, Dromaeosauridae e Troodontidae) e três herbívoros (Ceratopsidae, Hadrosauridae e Ankylosauridae). 

Fabien Condamine, um dos autores do estudo, disse à BBC que só é possível rastrear um fóssil, porque ele é registrado com um número único. Dessa forma, os cientistas podem acompanhá-lo ao longo do tempo. Ele conta que os pesquisadores tiveram que fazer um inventário com os fósseis conhecidos das seis famílias, mais de 1,6 mil indivíduos de 250 espécies. “O trabalho foi tedioso”, comentou. 

Além disso, uma das partes mais trabalhosas foi analisar minuciosamente a data do registro do fóssil, já que um pesquisador pode determinar uma data, outro pode reexaminar o fóssil analisar a data de forma diferente. Condamine disse que quando havia muita dúvida, a equipe eliminava o fóssil do estudo. 

Ao separar cada fóssil, os cientistas usaram um modelo matemático de estatística para determinar quantas espécies evoluíram ao longo do tempo. Como resultado, encontraram as espécies que surgiram e desapareceram no período de 160 a 66 milhões de anos atrás. Dessa forma, eles podem estimar quantas espécies teriam sido extintas até as eras mais recentes. 

A resposta da combinação responde à dúvida inicial: Ainda que seja difícil afirmar que os dinossauros não sobreviveram mesmo sem a queda asteroide, os animais enfrentavam um período complicado. Isso porque houve uma queda no número das espécies, 10 milhões de anos antes da grande extinção. “Este declínio é particularmente interessante porque é mundial e afeta tanto tiranossauros, grupos carnívoros quanto herbívoros, dos triceratops”, esclarece Condamine. 

E os cientistas não deixam a razão desse declínio sem resposta. De acordo com a pesquisa, uma das hipóteses é de que a Terra estava passando por um período de resfriamento, com queda na temperatura de 7ºC a 8ºC. Os dinossauros eram mesotérmicos, ou seja, tinham um sistema metabólico entre répteis (sangue frio) e mamíferos e aves (sangue quente).

 

Condamine explica que eles precisavam de um clima mais quente para manter suas temperaturas e desempenhar funções biológicas básicas. “Essa queda na temperatura pode ter tido um impacto muito forte neles”.

Outro ponto importante é que, à medida que os herbívoros iam desaparecendo, os carnívoros deixavam de se alimentar, e em consequência, suas populações diminuíram ao longo do tempo. 

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Ainda assim, é muito difícil dizer o que teria acontecido com esses animais ao longo dos anos. Muitas espécies costumam desaparecer por conta de fatores ambientais como as mudanças climáticas, ou na vegetação, por exemplo. Contudo, muitos paleontólogos acreditam que, se os dinossauros tivessem sobrevivido, os primatas e, consequentemente, os humanos, nunca teriam aparecido na Terra. Já pensou? 

[BBC]