O Facebook anunciou no último sábado (16) que passou a proibir anúncios que promovem acessórios para armas e equipamentos de proteção. A medida, que vale para os Estados Unidos, vai até 22 de janeiro, dois dias após a posse do presidente eleito Joe Biden.

De acordo com a plataforma, o bloqueio nesse tipo de propaganda foi tomado “por precaução”. O anúncio também vem depois que uma investigação do Buzzfeed News constatou que o Facebook estava exibindo anúncios de coletes à prova de balas, coldres para armas e outros equipamentos militares ao lado de conteúdo que promovia desinformação eleitoral e a insurreição no Capitólio dos EUA.

O Buzzfeed News ainda descobriu os anúncios também foram exibidos para pessoas que seguiam páginas ou grupos extremistas de direita no Facebook. A empresa foi alertada pelos próprios funcionários nos últimos dias, mas optou por não agir até então.

Em uma postagem sobre os preparativos antes do dia da posse de Biden, marcado para esta quarta-feira (20), o Facebook afirmou que já proibiu anúncios de armas e que estenderia essa proibição a outros produtos. “Já proibimos anúncios de armas, munições e aprimoramentos de armas, como silenciadores. Mas agora também proibiremos anúncios de acessórios, como estojos para armas, coletes e coldres para armas nos EUA”, disse a companhia.

Os anúncios de venda ligados a armas de fogo levaram três senadores norte-americanos a escrever uma carta ao CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, solicitando que a rede social aja imediatamente na criação de uma política de proibição permanente de anúncios de produtos “projetados para uso em operações táticas letais e combate armado”.

A reportagem do Buzzfeed News também obteve uma resposta de procuradores-gerais de Washington, DC, Illinois, Massachusetts e Nova Jersey. Juntos, eles publicaram uma carta pedindo a Will Castleberry, vice-presidente do Facebook para políticas estaduais e engajamento da comunidade dos EUA, para inserir na plataforma uma etiqueta de alerta nos anúncios para acessórios de armas e armaduras até 22 de janeiro, ou até o momento em que a crescente ameaça de violência extremista diminua.

A proibição ocorre um dia depois do Facebook ter impedido a criação de novos eventos perto da Casa Branca, do edifício do Capitólio e de qualquer outro prédio governamental durante o dia da posse de Joe Biden. A empresa disse que também revisaria os eventos relacionados à inauguração e removeria aqueles que violassem suas políticas, bem como bloquear contas e páginas de outros países que tentassem criar os mesmos eventos.

Ainda segundo o Facebook, algumas restrições também se estendem a certas pessoas que vivem nos EUA. Elas não poderão criar vídeos, eventos, grupos ou páginas ao vivo se forem considerados violadores reincidentes das políticas da empresa.

Vale lembrar que, na semana passada, a rede social removeu postagens que falavam sobre fraudes nas eleições americanas. Grupos que pregavam esse tipo de conteúdo também foram excluídos. A medida se estendeu para o Facebook e também para o Instagram, que bloqueou a divulgação de nomes, frases e hashtags fraudulentas. A ação também está prevista para durar, no mínimo, até o dia 22 de janeiro.