Na terça-feira (18), a ACLU (American Civil Liberties Union), uma ONG dos EUA que milita para defender e preservar direitos dos cidadãos do país, entrou com uma ação na Comissão de Igualdade de Oportunidades de Trabalho contra o Facebook e outras 10 companhias por discriminação de gênero e idade em anúncios direcionados de emprego.

Anúncios imobiliários podem ser discriminados por raça e religião no Facebook
O Facebook vai acabar com propagandas que excluem ou que são direcionadas a raças

O Facebook já foi criticado algumas vezes por permitir que anunciantes excluam certos grupos de pessoas de verem determinadas propagandas, como anúncios do setor imobiliário e de emprego, em sua plataforma. A rede social disse recentemente que está tomando medidas para prevenir essas práticas que promovem a desigualdade, mas não é todo mundo que está satisfeito com as ações. A ação alega que o Facebook permitiu que pelo menos 10 empresas exibissem anúncios de emprego voltada apenas para homens jovens, segundo um comunicado da ACLU. A organização entrou com a acusação junto com a Communication Workers of America e o escritório de advocacia Outten & Golden.

A ACLU nota que, quando alguém quer iniciar uma conta no Facebook, elas precisam identificar o gênero delas; inicialmente, as opções oferecidas pelo Facebook são homem e mulher. É possível mudar depois de abrir a conta e escolher entre quase uma dúzia de opções. No entanto, a opção original fica ainda disponibilizada para anunciantes.

“A única diferença entre o direcionamento de anúncios do Facebook e os classificados de emprego antigos que segregavam por gênero é que o Facebook — diferente dos jornais, que são distribuídos para o público em geral — pode assegurar que anúncios específicos sejam entregues apenas para usuários do sexo masculino ou feminino, ou de usuários de uma faixa etária específica, conforme a seleção de anunciantes”, informou a ACLU em um comunicado.

A ACLU também chamou a atenção para a opção de “segmentação por alvos” para anunciantes. Segundo a central de ajuda de anúncios do Facebook, anunciantes podem criar segmentação por alvos na qual o Facebook identifica “qualidades comuns das pessoas” em uma audiência selecionada. “Então, descobrimos pessoas que são similares (ou ‘se parecem’) a elas”, diz o Facebook. Não é difícil imaginar como este tipo de ferramenta poderia ser usada para propósitos nefastos. “Para entender por que isso é problemático em contexto de emprego, considere uma empresa com a força de trabalho majoritariamente branca, que decidiu recrutar e contratar apenas candidatos que ‘se pareçam’ com a atual força de trabalho da companhia”, argumenta a ACLU.

As acusações registradas na terça-feira têm como objetivo prevenir anunciantes de ter ferramentas e informações que excluam mulheres e indivíduos não binários (que não se definem exclusivamente como homem ou mulher), assim como indivíduos de mais idade, de ter acesso a certas oportunidades de emprego. Além de tornar mais difícil a tarefa de achar emprego para certos públicos, tais ferramentas ajudam a manter a homogeneidade de áreas já dominadas por homens, informa a ACLU.

Esta não é a primeira vez que o Facebook é acusado de incentivar a discriminação em sua plataforma. O Departamento de Habitação e Desenvolvimento registrou uma reclamação por discriminação contra a gigante de tecnologia em agosto, após a ProPublica descobrir que, há dois anos, anunciantes poderiam excluir usuários de campanhas baseado em raça e deficiência. A rede social disse que corrigiria o erro, após ser pega permitindo práticas discriminatórias por meio de seus anúncios direcionados.

Em resposta a essa série de enganos, o Facebook anunciou em agosto que iria remover milhares de “opções de direcionamento” para interromper a discriminação em sua plataforma. Pelo que essa nova reclamação da ACLU mostra, o Facebook ainda tem bastante trabalho a fazer.

[BuzzFeed]

Imagem do topo: Getty Images