Seguindo em sua firme posição contra a invasão militar russa na Ucrânia, a 75ª edição do Festival de Cannes incluiu na programação o filme “Mariupolis 2”, do lituano Mantas Kvedaravicius, morto em Mariupol, na Ucrânia, pelo exército da Rússia.

Antes, a organização do festival na França já tinha decidido não acolher delegações oficiais ou ligadas ao governo russo.

Kvedaravicius foi capturado e assassinado pelos russos na Ucrânia em 2 de abril de 2022 enquanto fazia o longa “Mariupolis 2”. Ele não será exibido em nenhuma seção específica do festival, mas a organização de Cannes disse que era “essencial” adicioná-lo à programação.

“Mariupolis 2”, um filme “que mostra a vida que continua sob as bombas”, foi adicionado à lista oficial de filmes, explicou o comunicado, que ressaltou também que ele contém “imagens trágicas e esperançosas ao mesmo tempo”. 

“Em 2022 voltou à Ucrânia, para o Donbass, em plena guerra, para se reunir com as pessoas que havia conhecido e filmado entre 2014 e 2015. Após sua morte, seus produtores e colaboradores se uniram para continuar transmitindo seu trabalho, sua visão, seus filmes”, afirma o festival.

O filme consiste em imagens que o documentarista filmou em Mariupol antes de sua morte, e foi editado por sua noiva Hanna Bilobrova, que conseguiu trazer de volta o material. Kvedaravicius também fez “Mariupolis” em 2016, sobre a vida na cidade ucraniana à sombra do conflito com a Rússia. Há outros filmes da Ucrânia no festival, mas este provavelmente será o mais visceral e oportuno.

O 75º Festival de Cannes começou nesta terça-feira (17) com um discurso online do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que citou o filme do lituano em sua fala. “Mariupolis 2” será apresentado em 19 e 20 de maio, segundo comunicado de imprensa. Mantas Kvedaravicius é o autor de “Barzakh” (2011), “Mariupolis” (2016) e “Parthenon” (2019).

Nascido em 1976, doutor em Antropología, Mantas Kvedaravicius apresentou “Mariupol” no Festival de Berlim de 2016.