A economia do compartilhamento já conectou motoristas com passageiros e proprietários de casas com hóspedes. Um novo serviço chamado Flapper agora quer conectar empresas de táxi aéreo com passageiros para a realização de voos privados.

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O aplicativo quer tentar resolver alguns gargalos que ocorrem na aviação privada. Primeiro, da mesma forma que tem donos de carro com o veículo parado na garagem, há donos de frotas de aeronaves com helicópteros ou aviões sem funcionar. E isso, como nos automóveis, não custa nada barato.

Outra questão tem relação com a demanda de passageiros. “Como não tem uma plataforma, são sempre os mesmos clientes. Além disso, é comum que um avião vá até um destino e depois volte sem ninguém”, explicou Arthur Virzin, um dos cofundadores da Flapper, em conversa com o Gizmodo Brasil.

Como funciona

O app por enquanto só está disponível para iOS (para Android chega em breve) e ele tem uma lógica bem parecida com a de aplicativos de táxi ou de caronas, como o Uber. Após a instalação, você seleciona um destino — a caráter de testes, escolhi um trajeto entre São Paulo e Rio de Janeiro. Ele deverá exibir os voos agendados em datas próximas (hoje, amanhã ou mais tarde). Caso não tenha nenhum, o usuário deverá criar um novo voo, escolhendo o local de saída — em São Paulo, a opção é o aeroporto Campo de Marte — e a hora de saída.

Na sequência, você pode escolher a aeronave e quantos assentos quer ocupar. E é aí que você começa a ter noção dos preços praticados. É possível tanto “alugar” um avião todo como comprar alguns assentos. A título de curiosidade, um avião Cessna Grand Caravan, com 9 assentos, custa R$ 10.000. Se você quiser apenas um assento, o valor estimado é de cerca de R$ 1.200, que é feito via cartão de crédito registrado no app. É quase como um UberPool de avião.

Apesar das comparações com o Uber, a empresa nega qualquer tipo de comparação com a companhia americana. A Flapper diz ser a “primeira nesse mercado” no Brasil e que quer criar “uma marca mais amigável”. De fato, o Ubercopter, lançado neste ano pela gigante americana em São Paulo, foi apenas uma operação piloto que durou um mês.

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Modelo Cessna Grand Caravan. Crédito: Wikimedia

Outro exemplo dado pela equipe do Flapper é: uma viagem de São Paulo de helicóptero para Ilhabela fica na casa dos R$ 600 e ainda há espaço para mais duas pessoas. É importante ressaltar que a aeronave não aguenta muito peso, portanto nada de levar malas gigantes.

“O preço não é baixo. Porém, não é totalmente inacessível. Um voo comercial em alta temporada para um destino próximo pode custar na casa dos R$ 1.000”, explicou Paul Malicki, CMO da Easy Taxi e investidor-anjo da Flapper. Ele ainda cita como vantagem o fato de não precisar chegar com tanta antecipação ou esperar pelas malas despachadas, quando é o caso.

Por enquanto, é possível voar para São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Angra dos Reis (RJ), Campos do Jordão (SP), Paraty (RJ), Ubatuba (SP), Ilhabela (SP) e Juqueí (SP).

A ideia da empresa é tornar a aviação privada fácil e acessível para as pessoas. A tecnologia já facilita o processo; agora cabe a este público definir se vale a pena ou não.

Atualizado às 15h:52 de 11/09