Em julho deste ano, a jovem americana Sarah Frank conseguiu arruinar milhares de estudos científicos ao postar um vídeo despretensioso em sua conta do TikTok.

Na produção, de apenas 56 segundos, ela dava dicas aos seus seguidores de que era possível ganhar dinheiro participando de pesquisas remuneradas. Apesar de parecer algo inofensivo, a atitude da jovem causou um grande impacto para os cientistas dos Estados Unidos.

No vídeo, Sarah Frank aparece sentada em seu quarto, sorrido para a câmera e dando o passo a passo para conseguir a recompensa através de uma plataforma de pesquisas.

“Bem-vindos ao trabalhinho paralelo que eu recomendo que vocês tenham — parte um”, diz ela durante a gravação, indicando aos seus seguidores o site Prolific.com. “Basicamente, é um monte de pesquisas que pagam diferentes quantias em dinheiro por diferentes períodos”, explica a jovem.

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A dica de Frank rapidamente viralizou. Em um mês, seu vídeo bateu 4,1 milhões de visualizações. Por tabela, a plataforma Prolific ganhou milhares de novos usuários — o que, em outro contexto, também seria bom. Mas, nesse caso, foi péssimo. Afinal, a maioria dos novos registros vinham de um mesmo perfil: jovens mulheres na casa dos 18 anos. E isso destruiu a dinâmica das pesquisas científicas, que precisam contar com um banco de potenciais voluntários mais diverso.

Boom de mulheres

De repente, cientistas acostumados a terem uma gama diversa de voluntários para seus estudos Prolific, viram suas pesquisas inundadas com respostas de mulheres jovens na mesma faixa etária de Frank.

Na ocasião, um membro do Laboratório Comportamental de Stanford postou no fórum do site Prolific falando sobre o problema do aumento — rápido e dominado por mulheres — de usuários na plataforma.

“Notamos um grande salto no número de participantes na plataforma dos EUA, de 40k para 80k. Agora, muitos de nossos estudos têm uma distorção de gênero, em que cerca de 85% dos participantes são mulheres. Além disso, a média de idade está em torno de 21”.

Hannah Schechter, pesquisadora da Universidade Wayne State, parece ter sido a primeira pessoa a desvendar o caso. A psicóloga compartilhou o vídeo em seu Twitter e comentou que talvez aquele viral fosse a resposta. Era mesmo.

Frank disse que não fazia ideia de que seu vídeo fosse viralizar — e, muito menos, atrapalhar pesquisas científicas. Ela destacou que não ganhou nada após o viral.

“Definitivamente não me ocorreu que o vídeo iria explodir. Apenas postei para meus amigos e seguidores, não para o alcance que acabou obtendo”, disse ela. “Acho que explodiu por o site realmente muito legal e as pessoas adoram maneiras eficientes de ganhar dinheiro”, comentou a jovem.

“Recebi alguns comentários bem maldosos, me acusando de ser egoísta e arruinar o site sozinha, embora eu não tenha recebido nenhuma recompensa por aquele vídeo”, disse a jovem. “Também acredito que muitas pessoas que se inscreveram após ver meu vídeo vão se esquecer disso logo e o número de usuários vá diminuir”.

Phelim Bradley, cofundador e CTO da Prolific, confirmou a tese de Frank em entrevista ao The Verge. “Antes do Tiktok, cerca de 50% das respostas em nossa plataforma vinham de mulheres”, disse Bradley. “O aumento atingiu 75% por alguns dias, mas, desde então, esse número tem diminuído. Atualmente estamos de volta a 60% das respostas vindas de mulheres”, explicou.

Segundo o CTO, cerca de 4.600 estudos foram interrompidos pelo vídeo de Frank no TikTok. Esse total corresponde a aproximadamente 1/3 das pesquisas ativas na plataforma na época do vídeo. Entretanto, ele disse que a maioria desses estudos podem ser retomados.

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Novos recursos

A Prolific também reembolsou pesquisadores que tiverem seus estudos afetados de forma significativa pelo aumento de mulheres na plataforma.

Depois do ocorrido, a empresa precisou reformular algumas coisas na plataforma. Uma delas é um novo conjunto de ferramentas de triagem demográfica.

A ação aconteceu um mês após vídeo viral de Frank. A empresa agora conta com uma equipe responsável pelo balanço demográfico, para que caso, aconteça isso de novo, a solução seja mais rápida.