A Samsung acredita profundamente no futuro dos telefones dobráveis, mas sua primeira tentativa, com o Galaxy Fold do ano passado, foi um começo quase desastroso. Os dispositivos fornecidos a jornalistas e influenciadores antes do lançamento estavam repletos de problemas: a dobradiça deixava entrar sujeira, uma cobertura de plástico na verdade fazia parte da tela mas podia ser removida facilmente, e um vinco simplesmente não desaparecia. A Samsung corrigiu esses problemas e relançou o aparelho. Depois a empresa voltou à prancheta de desenho para criar um dobrável de última geração: o Galaxy Z Flip, de R$ 8.999.

O Flip é uma experiência totalmente diferente do Fold, que era essencialmente um tablet dobrado em um smartphone. Ele segue a linha do Razr relançado da Motorola: sua telona de 6,7 polegadas se dobra em uma concha que cabe no bolso e que tem uma tela externa Super AMOLED de 1,1 polegadas para visualização de notificações.



A telinha também funciona como uma pré-visualização de selfies, o que parece útil, mas no pouco que pude usar, achei a tela muito pequena para ver se estou fazendo o sorriso falso e os olhos esquisitos que faço às vezes.

Eu amo o design do Flip, mesmo que não pareça super inovador, já que acabamos de ver a Motorola fazer coisa parecida com o novo Razr. O formato de concha que transforma um smartphone gigante em um dispositivo menor, mas ainda útil, é perfeito para quem tem mãos pequenas e bolsos minúsculos. Foi por isso que o iPhone SE vendeu tanto, e é por isso que rumores dizem que a Apple prepara um sucessor para ele.

Durabilidade

O Flip também parece mais premium que o Razr em quase todos os aspectos, apesar de ser mais de US$ 100 mais barato. A Samsung está expandindo os limites com a tela de vidro ultrafina do Flip, tornando-a a primeira tela de smartphone com vidro dobrável do mercado.

A Samsung diz que o vidro é capaz de suportar até 200 mil dobras — o mesmo que o Galaxy Fold, apesar de a tela dobrável ser feita de plástico. O vidro parece mais premium do que as telas de plástico do Fold ou do Razr, que parecem vão ficar marcadas com um vinco a qualquer momento. Alguns dos modelos Flip exibidos no evento Galaxy Unpacked da Samsung não tinham vincos visíveis; alguns tinham linhas visíveis, mas apenas quando a tela estava preta.

Ao contrário do Razr, o Z Flip tem um espaço entre a dobradiça e a tela, assim como o Fold. A Samsung adicionou uma camada de fibras entre as duas para manter a sujeira para o lado de fora, o que deve ajudar na durabilidade — isso ainda precisa ser testado.

Por outro lado, a dobradiça não range como a do Razr supostamente faz, pelo menos no meu tempo testando o dispositivo. A tela também não desliza para cima e para baixo quando você abre e fecha como a do Razr.

Câmeras

O Galaxy Z Flip possui três lentes de câmera, nenhuma delas com o zoom de 30x dos outros novos carros-chefe da Samsung, o S20 e S20+. Mas ele vem com uma ótima lente frontal de 10 megapixels no lado de dentro, em um furinho no vidro flexível, e dois duas câmeras de 12 MP (uma grande-angular e uma ultra-grande-angular) ao lado da pequena tela externa.

Tirei cerca de um zilhão de selfies em alguns Flips de demonstração e todas saíram bem, mesmo que a prévia da telinha exterior pareça um pouco enigmática. Não tive a chance de testar o novo recurso Night Hyperlapse do Flip, que também parece mais uma novidade do que um recurso para usar sempre.

Software

A Samsung trabalhou com o Google para desenvolver uma interface no modo Flex para o Flip, que permite que os apps da empresa alterem sua aparência quando o telefone é aberto em um ângulo de 90 graus.

Por exemplo, você pode assistir a um vídeo do YouTube e rolar pelos comentários ao mesmo tempo — sei lá por que alguém faria isso, mas dá para fazer. O efeito também funciona no aplicativo Câmera da Samsung, para que você possa usar a metade inferior da tela como um tripé com apenas um gesto. Isso poderia tornar o design do Flip ainda mais conveniente do que apenas sua natureza mais amigável ao bolso.

As especificações do Flip são sobre o que você espera de um carro-chefe dobrável, embora a Samsung sacrifique um pouco de RAM, armazenamento e duração da bateria pelo seu dobrável menor. A empresa colocou 8 GB de RAM, 256 GB de armazenamento e uma bateria de 3.300 mAh dividida em duas partes com o processador Snapdragon 855+ da Qualcomm, para que o desempenho e a duração da bateria sejam bons.

A única coisa que eu não amo no Flip é o seu acabamento. O telefone vem em três tons: Mirror Black, Mirror Purple e, em alguns países, Mirror Gold. Todos os três mostram muito marcas de dedos super brilhantes que começam a parecer desastres borrados em cerca de 2 segundos.

No exterior, o Galaxy Z Flip chega às lojas no dia 14 de fevereiro, bem a tempo do Valentine’s Day, o Dia dos Namorados deles. Lá, ele custa US$ 1.400, menos que o Razr, que tem preço sugerido de US$ 1.500. Por aqui, ele chega em 11 de março custando R$ 8.999, a mesma coisa que o Razr.