O Doodle do Google desta sexta (20) — aquele desenhinho que aparece na página inicial do buscador — lembra o médico húngaro Ignaz Semmelweis. Neste mesmo 20 de março, só que em 1847, ele foi nomeado residente chefe da maternidade do Hospital Geral de Viena. E foi lá que ele mostrou a eficácia de uma prática recomendada até hoje, principalmente neste momento em que enfrentamos uma pandemia: lavar as mãos.

Nascido em Buda (atual Budapeste) em 1° de julho de 1818, Semmelweis se tornou médico na Universidade de Viena e fez um mestrado em obstetrícia. Na época, um grave problema assolava as mulheres: a chamada febre do parto, conhecida hoje como infecção pós-parto ou infecção puerperal. A causa era então desconhecida, e os números de mortalidade eram altos por toda a Europa.

Semmelweis se dedicou a encontrar o que causava aquele gravíssimo problema. Mesmo em uma época em que o conhecimento sobre a microbiologia era limitado, ele foi capaz de perceber que eram os próprios médicos que “levavam” a doença em suas mãos, e que o material infeccioso ia das operações e autópsias realizadas anteriormente para as pacientes.

As ideias de Semmelweis foram recebidas com ceticismo por seus colegas e por médicos contemporâneos, que se sentiram acuados e responsabilizados pelas mortes. Tal reação o levou a ser destituído do cargo que ocupava. Mas, depois de um amigo sofrer um corte acidental durante uma biópsia e desenvolver uma doença muito parecida com a febre do parto, ele encontrou as evidências que precisava para convencer a comunidade médica de que a higiene era importante.

De volta ao Hospital Geral de Viena em 1847, o médico, então, instituiu a lavagem obrigatória das mãos com hipoclorito de cálcio entre exames e procedimentos como forma de evitar o contágio. Mais tarde, estudos provaram que ele estava certo: as taxas de mortalidade por infecção puerperal despencaram depois da obrigatoriedade de lavar as mãos. Por isso, Ignaz Semmelweis é considerado o pai da antissepsia.

A homenagem a Ignaz Semmelweis foi feita em um momento bastante oportuno. Uma das principais recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar o contágio pelo coronavírus causador da covid-19 é justamente lavar as mãos.

O mundo vive uma pandemia da doença: segundo dados do monitor da Universidade Johns Hopkins, já são quase 260 mil casos confirmados em todo o mundo, com 11.286 mortes causadas pelo novo coronavírus. No Brasil, são 904 casos da doença e 11 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados nesta sexta (20).

[Google, El País, InCor]