Na semana passada tivemos o Google I/O, a conferência anual do Google que costuma ser recheada de novidades para os principais produtos da empresa, mas também conta de vez em quando com algumas ideias mirabolantes que estão sendo desenvolvidas nos laboratórios do Google. Essas ideias mais malucas são chamadas de “moonshots” – projetos tão audaciosos que podem ser considerados frutos da ficção científica.

Essa, aliás, é a própria definição do Google. Em 2013, em um vídeo chamado Moonshot Thinking, o Google disse que “as moonshots vivem em uma área entre tecnologia audaciosa e ficção científica pura”.



Mas muito mudou nos últimos dois anos no Google X e em outros projetos de pesquisa associados à empresa – como Calico e Titan. Então separamos alguns deles para saber qual é o estágio atual de desenvolvimento de algumas das ideias mais malucas do Google.

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Wing

Google Project Wing

Em agosto passado, a revista The Atlantic revelou a existência do Project Wing – um programa “secreto” do Google para drones de entregas, que envolvia o desenvolvimento de um veículo autônomo lançado verticalmente que pode entregar de tudo, desde suprimentos de emergência a, bem, coisas que você compraria a partir do Google.

Durante a apresentação pública do Wing, ele foi descrito pelo Google X mais como um projeto de pesquisa e desenvolvimento do que um projeto comercial com previsão de lançamento. “Também queremos aprender como funciona a entrega de verdade”, disse o fundador Nicholas Roy em um vídeo. “Ele ainda demorará anos para se tornar um produto, mas é o primeiro protótipo que estamos buscando.”

Google Project Wing

O “Capitão de Moonshots” do Google – sim, esse é um cargo real – indica que o lançamento pode estar mais perto do que eles pensavam, dizendo que “trabalhando juntos podemos chegar a esse futuro com grande rapidez.” Quão rápido, exatamente?

O Google diz que a equipe do Wing passará o próximo ano desenvolvendo um framework para o programa – pense em sistemas de navegação e protocolos de segurança – que vai dar suporte aos drones de entrega.

Considerando que a regulamentação de drones comerciais está sendo debatida nos EUA, o Google pode ter papel fundamental ao demonstrar para autoridades norte-americanas que os veículos voadores autônomos são seguros para o público geral. Mesmo que o Wing não chegue a se tornar algo real – e há uma grande chance disso acontecer – os objetivos políticos do Google com ele são muito maiores.

Baseline

Dentro do Google X, encontramos muitas equipes e projetos diferentes, e um dos mais interessantes de todos é o Life Sciences Group, liderado por um biólogo molecular chamado Andrew Conrad.

Em uma reportagem do Wall Street Journal publicada no ano passado, Conrad apresentou um projeto chamado Baseline que soa incrivelmente simples: descobrir qual é a “linha de base” da saúde humana. Isso significa checar uma quantidade imensa de dados, desde informações genéticas até estruturas moleculares, de 175 pessoas. “E então o Google vai usar seu poder computacional imenso para encontrar padrões, ou ‘biomarcas’, escondidos nessas informações”, explicou o WSJ.

Qual é a ideia por trás de estudar pessoas normais e saudáveis de perto? Considere que muito do que sabemos sobre doenças é graças a pessoas que sofreram com elas, e que a medicina preventiva tem potencial para salvar bilhões e reduzir drasticamente incidências de doenças comuns. Ao analisar os mínimos detalhes dentro dessas 175 cobaias, o Google vai ajudar cientistas a encontrarem motivos sutis e menos óbvios que fazem pessoas ficarem doentes – ou saudáveis.

No momento, o Google diz que está testando a metodologia do Baseline em um grupo menor de cobaias, enquanto se prepara para o primeiro estudo completo.

Loon

Google Project Loon

Há algum tempo o Google comprou um antigo e histórico hangar da NASA, o Aeródromo Federal de Moffett. O que a empresa pretendia fazer com aquilo? Pelo jeito, a ideia é usá-lo no Loon.

O Loon vai usar balões de alta altitude para espalhar internet através do mundo, e ele já está em desenvolvimento há dois anos. De certa forma, o Loon parece estar na mesma posição do Wing. Em abril, o Google explicou que está focado em preparar uma equipe de lançamento para definir como fabricar tantos balões e desenvolver um centro de controle de missão para controlá-los.

Os testes de voo continuam. No mês passado, o Verge disse que o Loon atingiu um marco ao voar com uma conexão através de múltiplos continentes: “balões lançados na Nova Zelândia voaram mais de 9.000 km até a América Latina e levaram conexão com a internet até lá, e então voaram de volta ao redor do globo para outro teste bem sucedido de conexão na Austrália”.

Google Project Loon

Titan

Se balões de alta altitude com internet não parece maluquice o suficiente para você, então o Google tem projetos ainda mais doidos. No ano passado, a empresa comprou uma startup de dois anos de idade chamada Titan Aerospace, especializada no desenvolvimento de drones autônomos e leves que, graças a painéis fotovoltaicos a bordo, podem teoricamente voar durante anos.

Durante a Mobile World Congress no começo do ano, Sundar Pichai, do Google, disse que a Titan está se preparando para seus primeiros voos de teste. Mesmo que o foco do projeto seja levar internet a lugares que não possuam conexões convencionas com a internet, como o Loon, o Google me disse que os drones do Titan podem acabar ajudando os balões em um sistema integrado.

Ao mesmo tempo, a empresa está mais tímida quanto a esse projeto: parece que o Titan ainda não está próximo de grandes testes, nem de fabricação em massa, como o Loon.

Calico

Google Caluco

Agora estamos chegando à parte boa. A Calico é uma empresa independente que cresceu e saiu do Google; agora ela é comandada por Arthur Levinson, que também faz parte do conselho administrativo da Apple. A Calico está focada em algo bastante vago e, ao mesmo tempo, extraordinariamente específico: extensão da vida.

Ou, melhor ainda, aumentar “nosso entendimento da biologia que controla o tempo de vida.” Isso significa juntar cientistas de diversos campos diferentes para estudar doenças e problemas relacionados ao envelhecimento – e descobrir como parar isso.

O Google não diz muito sobre o progresso do projeto, exceto que ele está ainda em seu início. Mas, no ano passado, a Calico anunciou um acordo com a empresa farmacêutica AbbVie que tem como foco transformar os estudos em terapias reais, como explicou o New York Times na época:

A parceria é um acordo padrão de biotecnologia no qual uma empresa lida com as fases iniciais do desenvolvimento de medicamentos enquanto a outra é responsável por testar e fazer qualquer coisa que seja descoberta. É possível dizer que a Calico vai analisar medicamentos e, se eles forem bem sucedidos, a AbbVie vai testá-los e produzi-los em fábricas.