Todo mundo gosta de produtos com bom custo-benefício. E depois de mexer um pouco com o Apple Watch SE, devo dizer que este relógio parece um bom negócio nos EUA.

No Brasil, a situação não é das melhores, dado que o relógio tem preço sugerido de R$ 3.799; nos EUA, ele custa US$ 280 (cerca de R$ 1.470 em conversão direta).

Questões geográficas à parte, nos EUA o Watch SE custa US$ 120 a menos que o Series 6 mais barato (US$ 400). Não é uma diferença pequena, pois é possível fazer muita coisa com US$ 120. A questão principal é se o que você está deixando de lado ao optar pelo Watch SE vale a pena.

Apple Watch SECrédito: Victoria Song/Gizmodo

O que o Apple Watch SE não tem?

Então, vamos direto ao assunto. O que exatamente você está sacrificando ao optar por um Watch SE?

Para começar, você não tem a opção de eletrocardiograma para detecção de fibrilação atrial ou o novo sensor de monitoramento de oxigênio no sangue. Você também não recebe o recurso de tela sempre ligada, que foi apresentada com o Series 5, o o chip S6 mais rápido do Series 6 ou o chip U1 Ultra Wideband.

Do ponto de vista de carregamento, o Series 6 vai de 0 a 100% um pouco mais rápido com 1,5 horas em comparação com 2,5 horas para carregar o Watch SE.

Em conexões Wi-Fi, o Series 6 suporta 2,4 GHz e 5 GHz, enquanto o SE suporta apenas a primeira frequência.

O que o Apple Watch SE tem?

Agora, vamos falar sobre o que ele tem. Todos os sensores de movimento do Watch SE — acelerômetro, giroscópio, altímetro sempre ligado, etc — são exatamente iguais aos do Series 6.

Isso significa que você obtém detecção de queda e coisas como a chamada de emergência. Tanto o Series 6 quanto o Watch SE também compartilham o mesmo sensor óptico de frequência cardíaca de segunda geração, o que significa que não é menos preciso no que diz respeito ao rastreamento de condicionamento físico. (A função de eletrocardiograma requer um sensor elétrico de frequência cardíaca separado, e é isso que está faltando no SE).

Você ainda tem itens como GPS e conexão móvel LTE integrados. O Watch SE também tem uma tela Retina que, quando ativa e comparada lado a lado com o Series 5, é quase indistinguível para meus olhos. Estou lhe dizendo, li essas tabelas de especificações uma e outra vez e, honestamente, você não está perdendo tanto quanto pode pensar.

Em termos de design, o Watch SE não oferece opções de caixa colorida ou premium como o Series 6. Ele vem na opção de alumínio, ouro ou prata, o que provavelmente é mais do que suficiente para a maioria das pessoas. Você também pode usar as mesmas pulseiras de relógio que usa com o Series 6 e, embora eu estivesse inicialmente cética, na verdade gostei da Loop Solo.

Apple Watch SECrédito: Victoria Song/Gizmodo

O chip S5 é bem rápido. Não tenho nenhuma reclamação sobre baixar ou abrir apps. Tenho certeza de que o chip S6 é mais rápido ainda, mas o S5 é melhor do que simplesmente “rápido o suficiente”. Até agora, a capacidade de resposta da inclinação para “acordar” a tela do Watch SE também é muito boa. Não tenho certeza se é apenas minha memória falhando, mas parece mais rápido do que eu me lembrava nos relógios Series 2, 3 e 4. Talvez seja o chip S5?

Em qualquer caso, não me sinto enganada por não ter uma tela sempre ativa. Honestamente, o que eu sempre mais adorei na tela sempre ativa do Series 5 é que o relógio “acordava” mais rápido quando eu queria olhar minhas métricas no meio da corrida. Ainda não tive a chance de usar o Watch SE, então não sei o quão intensamente sentirei a ausência da tela sempre ligada neste cenário. Mas se, depois de fazer mais ou menos uma semana de testes, essa for a única questão que deixar chateada? Bem, isso não é muito.

Como o Series 5, algumas das atualizações mais legais para o Series 6 são, na verdade, as atualizações proporcionadas pelo watchOS 7. Isso significa que o Watch SE também os têm. Temporizador de lavagem de mãos? O SE tem e eu não preciso nem tocar o relógio para ativá-lo. Rastreamento de sono? Ele tem também.

Teremos que ver como o rastreamento de sono consome a bateria do SE em comparação com o Series 6, mas o fato é que você não está perdendo esse recurso. Novos algoritmos para detecção de atividade física? Tem também. Quando o Fitness+ for lançado, o Watch SE funcionará com ele.

As notificações de eletrocardiograma e fibrilação atrial são inovações maravilhosas. Mas, a menos que você tenha um problema cardíaco ou esteja na faixa etária de risco para ter fibrilação atrial, não é o recurso mais necessário. A falta de ECG não significa que você não receberá os avisos potencialmente salvadores se sua frequência cardíaca disparar repentinamente ou cair além da sua faixa normal. Isso é algo que vem com o watchOS — até mesmo o Series 3 tem essa capacidade.

Quanto ao monitoramento do oxigênio no sangue, sim, vou admitir sinto falta deste recurso. No entanto, essa também é uma inovação interessante que, de modo geral, as empresas que fazem gadgets vestíveis ainda não descobriram como implementar de uma forma significativa.

Apple Watch SECrédito: Victoria Song/Gizmodo

Os sensores de SpO2 existem em smartwatches desde 2017, e o público está recentemente interessado em seus recursos porque eles podem detectar problemas respiratórios (talvez até o início de sintomas de COVID-19). Mas ainda não existem ferramentas de diagnóstico que façam uso do sensor de SpO2, então você não perderá a grande maioria do que torna um Apple Watch ótimo se você não tiver monitoramento de oxigênio.

Como eu disse, estou com Watch SE há cerca de um dia e há muito mais testes que preciso fazer antes de me sentir confortável para um veredicto final. Por exemplo, como o Watch SE se compara ao Watch Series 6 em termos de desempenho de duração de bateria? Vou sentir muita falta do recurso de eletrocardiograma no dia a dia? Quanto vou sentir falta da tela sempre ligada? Como o chip S5 lidará com o watchOS 7?

É possível que após um período de teste mais longo, eu encontre mais respostas para questionar. Mas no que diz respeito às primeiras impressões, a Apple pode ter acertado na estratégia, apesar da diferença brutal do relógio nos EUA comparado com o Brasil.