A Huawei está cogitando utilizar o sistema operacional russo Aurora para substituir o Android em seus dispositivos, de acordo com uma reportagem da Reuters. A medida está relacionada com o fato de a empresa ter sido colocada na chamada “Lista de Entidades” pelo governo federal dos Estados Unidos, restringindo o acesso à tecnologia americana.

Como aponta a Reuters, o Aurora é “o único sistema operacional da Rússia e atualmente não tem sido utilizado”. O projeto que está sendo discutido prevê a instalação do sistema operacional em centenas de milhares de tablets que serão utilizados no censo 2020 da Rússia.

No entanto, uma fonte contou à agência de notícias que o censo pode servir como um teste para a utilização ampla do Aurora: “Esse é um projeto piloto. Vemos como um primeiro estágio para o lançamento do sistema operacional russo em dispositivos Huawei”.

Uma porta-voz da Huawei confirmou à Reuters que a companhia está discutindo a possibilidade de um acordo com o Ministério das Comunicações da Rússia:

A Rússia está discutindo o uso do Aurora OS em 360 mil tablets Huawei até agosto de 2020.

“A Huawei está interessada no projeto. Mostraram exemplos de tablets que poderiam ser usados”, disse uma segunda fonte. O Aurora é o único sistema operacional russo e atualmente não está sendo utilizado.

O Aurora é de propriedade de uma empresa de telecomunicações chamada Rostelecom, que por sua vez é controlada pelo estado russo. A Rostelecom também é responsável pela seleção dos tablets que serão utilizados para o censo, e confirmou à Reuters que está explorando “as diversas opções de colaboração” com a Huawei.

A administração Trump colocou a Huawei na Lista de Entidades do Departamento de Comércio no começo deste ano em meio a um tumulto na comunidade de inteligência dos EUA de que a companhia chinesa pudesse representar um risco à segurança nacional e estar envolvida em espionagem.

Em um determinado momento, a CIA aparentemente tentou convencer aliados de que os equipamentos de telecomunicações da Huawei não seriam confiáveis ao apresentar evidências “fortes mas não cabais” de que a empresa é financiada em parte pelos militares e inteligência chinesa).

Os Estados Unidos ainda acusaram a Huawei de fraude e roubo de segredos comerciais, e está tentando a extradição da diretora financeira Meng Wanzhou do Canadá com alegações de que ela violou sanções impostas pelos EUA ao Irã.

A Huawei tem negado veementemente as acusações e tem procurado retratar o problema como uma retaliação por superar empresas americanas. Há ainda ampla especulação de que a administração de Trump tem mirado na Huawei como uma arma tática em meio à guerra comercial entre EUA e China.

A NPR recentemente noticiou que um “grupo vocal e crescente” na China tem argumentado que o país “deveria revidar e evitar um acordo a todo custo”, embora ambos os lados tenham mostrado sinais de hesitação.

Diversas companhias ocidentais cortaram relações com a Huawei, e uma vez que o período de trégua acabar, é esperado que a empresa chinesa perca acesso a futuras atualizações do Android.

A Huawei já está desenvolvendo o seu próprio sistema operacional open-source, o HarmonyOS. A Wired noticiou recentemente que a viabilidade de longo prazo do HarmonyOS como um substituto do Android está em xeque, principalmente pelo fato de que os aplicativos do Google (como YouTube, Maps) não poderiam ser instalados.