O governo da Índia decidiu banir aplicativos chineses como TikTok e WeChat alegando que eles estariam “engajados em atividades […] prejudiciais à soberania e integridade” do país. No total, 59 aplicativos foram proibidos.

A ordem veio do Ministério de Eletrônicos de Tecnologia da Informação da Índia. Tarun Pathak, analista da empresa de consultoria Counterpoint, disse ao TechCrunch que a decisão afetaria aproximadamente 1 a cada 3 usuários na Índia.

O aplicativo mais popular banido com o TikTok, desenvolvido pela ByteDance. Dados da SensorTower de abril indicam que 30% dos 2 bilhões de downloads do TikTok aconteceram na Índia.

Não é a primeira vez que o TikTok é banido na Índia: em 2019, o governo pediu para que as lojas do iOS e Android removessem o aplicativo por preocupações com a distribuição de pornografia na plataforma. Essa proibição, no entanto, durou cerca de uma semana.

Além do aplicativo de vídeos curtos, apps populares como o WeChat, Club Factory, UC Browser e ES File Explorer também foram proibidos. De acordo com o TechCrunch, 27 dos 59 aplicativos banidos estavam entre os mil mais populares na Play Store em maio.

O comunicado do governo indiano não explica o porquê da proibição de cada aplicativo além de citar coleta indevida de dados, sem mostrar provas.

As tensões entre Índia e China aumentaram depois de um confronto na fronteira entre os dois países na região de Galwan, epicentro de uma disputa territorial. O incidente resultou na morte de pelo menos 20 soldados indianos. Relatos apontam que mais de 40 soldados chineses morreram, mas o governo local não confirmou a informação.

Ainda não está claro se essa disputa está relacionada com as decisões da Índia, mas é possível, dada a quantidade de aplicativos que foram banidos.

O TikTok, especificamente, já sofreu escrutínio de outros países devido a preocupações com segurança. No final de 2019 os desenvolvedores do aplicativo pagaram uma multa aos EUA para encerrar uma ação coletiva que alegava que o app violou as leis de privacidade das crianças no país, coletando seus dados e operando o aplicativo “de maneira imprudente e ilegal para obter ganhos comerciais”.

Agências dos EUA também baniram o uso do aplicativo em dispositivos fornecidos pelo governo, citando preocupações com as conexões da ByteDance com o governo chinês.

Na semana passada, usuários da versão beta do iOS 14 perceberam que o TikTok estava acessando os conteúdos da área de transferência de seus smartphones. A ByteDance alegou que acessava a área de transferência para evitar spam e disse que já enviou uma atualização para a App Store.

Apesar desses problemas, isso se refere a apenas um aplicativo da lista banida pela Índia. No comunicado do Ministério da Tecnologia de Informação há menção a “reclamações de diversas fontes que incluíam vários relatos sobre o uso indevido de alguns aplicativos móveis disponíveis nas plataformas Android e iOS para roubar e transmitir furtivamente dados dos usuários de forma não autorizada para servidores que estão fora da Índia”.

“A compilação desses dados, sua mineração e perfilação por elementos hostis à segurança nacional e à defesa da Índia, que em última instância afetam a soberania e a integridade da Índia, são uma questão de preocupação muito profunda e imediata que requer medidas de emergência”, completa o Ministério na justificativa da ação.

Os aplicativos ainda não foram removidos da Google Play Store e da Apple App Store na Índia. Smartphones fabricados por marcas chinesas dominam o mercado indiano, com uma fatia de 80%.