Mark Zuckerberg ainda está no poder no Facebook.

Na reunião anual da empresa na quinta-feira (30), os acionistas do Facebook rejeitaram várias propostas para limitar o poder do fundador e executivo da rede social.

Não é de se surpreender que as propostas tenham falhado – ninguém esperava o contrário. Isso porque, da maneira que a estrutura de poder do Facebook está atualmente definida, é o próprio Zuckerberg quem detém a autoridade máxima em todos os votos dos acionistas. Então, quando eu digo “acionistas do Facebook” tomaram uma decisão, isso é tecnicamente a verdade, mas é o próprio Zuckerberg que decide quanto poder o Zuckerberg mantém na empresa.

A menos que ele vote por limitar seu próprio poder, propostas como essas estão condenadas a fracassar nas reuniões – elas, no entanto, conseguem elevar a miríade de reclamações da crítica a um público amplo em um momento sensível e importante para a empresa.

Na reunião de quinta-feira, os críticos apresentaram propostas para realizar mudanças fundamentais no Facebook que justificaram serem necessárias devido a uma aparentemente interminável tempestade de escândalos atingindo a maior rede social do mundo. Questões como liberdade de expressão, segurançainterferência eleitoral e os problemas de privacidade do recente ciclo vertiginoso de escândalo-desculpa-escândalo do Facebook foram usados ​​como ataques ferozes contra Zuckerberg.

Depois de encerrar a última mini-revolta – ainda não está claro quantos acionistas votaram para dar a bota no Zuck – Zuckerberg subiu ao palco e reiterou suas promessas de mudar a maneira como a empresa trata essas questões. Foi, na maior parte, uma repetição de seu discurso no F8, no início deste mês, em que ele prometeu mudar a prioridade da empresa.

Para uma empresa tão frequentemente atormentada por escândalos, no entanto, o resultado final não foi muito afetado: a receita e o número de usuários do Facebook estão consideravelmente altos este ano.

Zuckerberg controla pessoalmente cerca de 60% do poder de voto do Facebook, de acordo com a SEC (Securities and Exchange Comission). Uma proposta apresentada na reunião anual da empresa sugeria reestruturar as votações para que todas os votos fossem igualados, e assim haveria a possibilidade de o poder de Zuckerberg diminuir ao ponto de desaparecer. Pelo quinto ano consecutivo, a proposta foi derrotada. Outra proposta fracassada que teria removido Zuckerberg do seu cargo de presidente.

Críticos e investidores que levantaram as propostas sabiam que o resultado não seria diferente. O objetivo é que a pressão pública force o Facebook e os reguladores a agirem.

Alex Stamos, ex-diretor de segurança de informação do Facebook, disse em uma entrevista no início deste mês que “há um argumento legítimo de que ele tem poder demais” e “ele precisa abrir mão de parte desse poder”. Se eu fosse ele, iria contratar um novo CEO para a empresa. Ele já está atuando como diretor de produtos, com a saída de Chris Cox, que é o que ele gosta de fazer. Ele deveria contratar um CEO que possa ajudar a sinalizar interna e externamente que a cultura precisa mudar. ”

Os comentários de Stamos seguiram um amplo editorial publicado no New York Times pelo cofundador do Facebook, Chris Hughes, que argumentou que “o governo deve responsabilizar Mark” porque ele é muito poderoso.

“Mark sozinho pode decidir como configurar os algoritmos do Facebook para determinar o que as pessoas veem em seus Feeds de Notícias, que configurações de privacidade elas podem usar e até quais mensagens são entregues”, escreveu Hughes, que deixou a empresa em 2007. “Ele define as regras sobre como distinguir discurso violento e incendiário do meramente ofensivo, e ele pode escolher eliminar um concorrente adquirindo, bloqueando ou copiando-o .”

Do lado de fora de onde a reunião acontecia, ativistas projetaram as palavras “DEMITAM ZUCK” nas paredes do hotel.


Tradução: Grupo de ativistas projeta mensagem anti-Zuckerberg no hotel onde acontece a reunião de acionistas do Facebook.

No final, Zuck não demitiu Zuck.