Em um anúncio inesperado até para quem não acompanha o mercado de games, a Microsoft revelou nesta segunda-feira (21) que está comprando a ZeniMax Media por US$ 7,5 bilhões. A companhia é dona da Bethesda e de outros estúdios responsáveis pelo desenvolvimento de alguns dos maiores jogos lançados nos últimos anos, entre eles as séries Doom, The Elder Scrolls e Fallout.

Com o acordo, a Microsoft passará a controlar os estúdios Bethesda Softworks, Bethesda Game Studios, id Software, ZeniMax Online Studios, Arkane, MachineGames, Tango Gameworks, Alpha Dog e Roundhouse Studios. Juntos, eles empregam 2,3 mil pessoas ao redor do mundo. A expectativa é que a venda seja concluída na segunda metade do ano fiscal de 2021 da Microsoft, entre janeiro e junho.

“Como nós, a Bethesda acredita na construção de uma ampla gama de experiências criativas, seja na exploração de novas franquias ou na hora de contar histórias de maneiras ousadas. É claro que todo o excelente trabalho que eles estão realizando vai continuar e se desenvolver ainda mais. Estamos ansiosos para empoderá-los com recursos e o suporte da Microsoft, garantindo que eles possam expandir sua visão criativa para mais jogadores”, destacou Phil Spencer, chefe da divisão Xbox.

E por que o anúncio da compra foi uma surpresa? Bom, primeiro porque a Bethesda e seus estúdios irmãos pareciam estar em uma posição bastante sólida e privilegiada no mercado de games. Franquias como Fallout, Doom e The Elder Scrolls sempre garantiram popularidade à companhia e uma grande independência de investimentos externos.

Em segundo lugar, e o que pode gerar mais dúvida entre os usuários, é quanto aos títulos dos estúdios, já que praticamente todos eles são lançados em várias plataformas. Não que isso signifique que os games da desenvolvedora passarão a ser exclusivos do Xbox – a Mojang, por exemplo, é um estúdio da Microsoft e oferece Minecraft para consoles e PC.

No entanto, será interessante acompanhar como as coisas vão ficar daqui em diante. A própria Bethesda trabalha atualmente em alguns jogos que serão exclusivos temporários do PlayStation 5, como é o caso de Deathloop (Arkane Studios) e Ghostwire: Tokyo (Tango Gameworks). Isso sem contar em ports de outros games do estúdio para Nintendo Switch. Eles ainda serão mantidos nessas condições? Como a conclusão do negócio só vai acontecer daqui alguns meses, como ficam os planos atuais da Bethesda?

Em entrevista à Bloomberg, Spencer já confirmou que futuros lançamentos dos estúdios da Bethesda, incluindo o RPG de ficção científica Starfield, serão disponibilizados no Xbox Game Pass, serviço de assinatura de jogos para PC e consoles Xbox. Questionado sobre o lançamento para outras plataformas, o executivo disse apenas que os demais consoles serão analisados “caso a caso”.

Também é curioso notar o investimento da Microsoft na aquisição de grandes estúdios de jogos eletrônicos. Além da Mojang, a companhia também comprou a Ninja Theory, que produziu títulos como Hellblade e EnslavedHellblade 2, ao contrário de seu antecessor, será um exclusivo de PC e Xbox Series X e S.

Na semana passada, o insider Jeff Grubb, segundo o DualShockers, revelou durante um podcast ter ouvido de diversas fontes que a Microsoft teria tentado, por mais de uma vez comprar, a Bungie, estúdio responsável pelo jogo sci-fi Destiny e que durante sete anos desenvolveu a franquia Halo, que é exclusiva do Xbox. Contudo, as empresas nunca chegaram a um acordo devido ao preço elevado do estúdio. No mesmo dia, o CEO da Bungie, Pete Parsons, negou o boato.

Com a aquisição da ZeniMax, a Microsoft agora é dona de 23 estúdios criativos que trabalham no desenvolvimento de games.

[Xbox, Bloomberg]