Todo mundo conhece o som irritante dos terríveis pernilongo. O barulhinho único chama a atenção quase que instantaneamente. Uma equipe de pesquisadores finalmente revelou exatamente como os mosquitos voam e de acordo com suas descobertas, o voo “é gerado de uma maneira diferente de qualquer coisa já descrita para um animal voador”.

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Quatro cientistas publicaram suas descobertas na última edição da Nature. Utilizando oito câmeras de alta velocidade, eles filmaram o voo dos mosquitos a partir de diferentes ângulos e conseguiram analisar cada batida das asas. Eles aplicaram então as observações em equações fluidas dinâmicas e traçaram a maneira que o ar se move entorno das asas.

Duas grandes características diferenciam o mosquito da maioria dos outros animais voadores. Suas asas batem numa taxa extremamente rápida de 700mhz e cada batida atinge menos que 40º de amplitude. Os pesquisadores identificaram a propriedade como “menos que a metade da amplitude já medida em qualquer animal voador”.

O Ars Technica explica como o mosquito consegue isso:

Os modelos revelaram que o voo é gerado por três mecanismos distintos. O primeiro, um vórtice na ponta, que é comum em outros insetos […] Durante o movimento decrescente da asa, um vórtice de ar é gerado na frente da borda da ponta da asa e, em seguida, volta sobre a asa. Isso cria uma área de baixa pressão acima da asa, proporcionando uma maneira de se erguer.

Mas isso só acontece enquanto a asa está no movimento decrescente. Devido ao pequeno tamanho da asa do mosquito, ela não bate para baixo por muito tempo. Alguma outra coisa precisa acontecer junto.

Parte dessa outra coisa é um vórtice de arrasto. Geralmente, esse vortex se forma na parte de trás da asa e então se dissipa (é dito que ele se desprende da asa). Isso significa que o vórtice de arrasto não gera uma elevação. Mas o curso da asa do mosquito é tão diferente que, assim que o animal para o seu curso descendente e inverte a asa para cima, a asa corre para o vórtice de arrasto. O vórtice se acopla novamente à asa, oferecendo alguma elevação. Aqui, o curso curto da asa é uma vantagem, porque ela passa mais tempo com no vórtice de arrasto.

mosquito-voandoGIF: NGP Press

As coisas ficam realmente únicas na maneira que o mosquito consegue gerar elevação ao girar suas asas. Enquanto a asa finaliza o movimento crescente, ela gira um pouco, começando no corpo e então fazendo a transição para o movimento decrescente. Uma área de baixa pressão é criada no topo da asa que oferece um pouco de elevação. Normalmente isso não seria suficiente. Mas, o mosquito consegue maximizar essa elevação extra.

Basicamente, o mosquito consegue fazer com que sua asa tenha duas tarefas simultâneas ao girá-la inteiramente. A rotação começa perto do corpo e vai até a ponta. Isso significa que a ponta e a base da asa estão girando de modo a assegurar que alguma parte dela está sempre criando uma área de elevação a cada batida. Desta forma, o mosquito consegue maximizar as batidas rápidas com suas asas relativamente curtas.

[Nature via Ars Technica]

Imagem do topo: Erik F. Brandsborg/Flickr