O headset HoloLens da Microsoft é o primeiro vestível do mundo que é livre de cabos e gera “hologramas” – uma mistura entre o mundo real e realidade aumentada – diante dos seus olhos. Faz quase um ano desde que colocamos um protótipo dele no nosso rosto. Agora que a gigante tecnológica prepara o lançamento das primeiras unidades para desenvolvedores, fui convidado a conferir como a tecnologia evoluiu.

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A Microsoft agora permite que desenvolvedores visitem sua loja em Nova York para testar o dispositivo, da mesma forma que fiz há alguns dias. Eu experimentei uma versão que é muito semelhante à que será vendida por US$ 3.000.

Primeiro, vamos relembrar um pouco sobre como ele funciona. Com o HoloLens, o “cursor” são seus olhos. Você olha ao redor da sala real e pode selecionar imagens holográficas que aparecem nos óculos ao levar o cursor no seu campo de visão em direção ao objeto. Para interagir com o objeto, você toca no ar. Em frente aos óculos, aponte seu dedo indicador no ar e faça um pequeno gesto de deslizar. Comandos de voz também estão à disposição.

Aqui no Gizmodo, já testamos o dispositivo algumas vezes. Parte dos problemas do passado permanecem: o campo de visão é estreito demais, o que significa que só é possível ver hologramas que estão diretamente em frente à pessoa. O dispositivo também é um pouco pesado demais. E a roda de ajuste na alça, que fica em torno da parte traseira da sua cabeça, prende seu cabelo enquanto você ajusta o HoloLens na sua cabeça. Não é agradável.

Mas também temos melhorias muito boas. Não vi nenhum dos efeitos de arco-íris nas laterais dos óculos, como acontecia em outras versões. Também não sofri com a luz refletida por objetos na sala que distraem da ilusão – em vez disso, objetos reais pareciam objetos reais, enquanto os hologramas eram hologramas.

E, mesmo que não tenha participado dos outros testes do Gizmodo, não achei necessário mexer muito a cabeça para mover o “cursor” que flutua em frente aos seus olhos e selecionar itens no menu. Todos esses itens eram compactos, e exigiam uma inclinação mínima para funcionar, na minha opinião.

As demonstrações

Eu estava ansioso para testar Project X – agora chamado Project X-Ray – pela primeira vez. É aquele baita jogo de realidade aumentada que foi demonstrado pela Microsoft em outubro. Ligue o HoloLens, e você vai ser atacado por raios lasers disparados por robôs alienígenas. O seu trabalho é eliminar todos eles. É como uma mistura de Halo com laser tag.

No jogo, robôs alienígenas inimigos explodem as paredes da sua sala em realidade aumentada, permitindo que você persiga eles andando pelo cômodo enquanto manobra para escapar dos ataques deles. É divertido!

Em alguns momentos, senti como se o sinal de imagem fluindo diante dos meus olhos fosse meio fraco; as imagens em realidade aumentada estavam meio falhas. Mas, no geral, o gameplay era bem preciso e responsivo. Os inimigos desapareciam assim que eram atingidos, da mesma forma como acontece em jogos tradicionais.

Devo dizer que, das três demonstrações de realidade aumentada apresentadas para mim, o Project X-Ray era o que mais tinha problemas. Claro, a ação é frenética: inimigos passavam ao meu lado de forma constante e veloz, exigindo que eu me movesse tão rápido quanto para evitá-los. Durante tudo isso, era difícil conseguir controlar quantos apareciam, já que os hologramas ao meu redor ficavam fracos e falhos, ou então era difícil acompanhá-los devido ao campo de visão estreito. O Project X-Ray também é o mais novo dos três – ele foi apresentado apenas em outubro, então é compreensível que ainda não esteja tão pronto quanto os outros.

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Em seguida, a Microsoft me mostrou uma demo que ela chamou de “narrativa holográfica”. A ideia aqui é que você substitua apresentações chatas de PowerPoint por hologramas.

Na demonstração, pisei em uma sala de conferências fictícia para ver uma apresentação de um relógio luxuoso. Olhei para a mesa real na sala e vi um grande holograma crescer até ter o tamanho de um golden retriever. Era fantástico, mas não totalmente convincente. O relógio deveria estar supostamente diretamente na mesa, mas em vez disso a imagem estava descentralizada.

A partir daí, eu podia mover o cursor em frente aos meus olhos para diferentes pontos de interesse no relógio. Poderia, por exemplo, olhar a pulseira para ver um pop-up me mostrando como ela foi feita. Em outra parte do relógio, eu ganhava informações sobre a bateria.

A coisa mais legal disso, do ponto de vista de apresentações corporativas, é que você pode ver para onde sua audiência está olhando no holograma – considerando que eles também usem o HoloLens. Você pode transformar seu holograma para que ele seja como um mapa de calor: as partes mais vermelhas do objeto são as quais as pessoas mais olham. No meu caso, a face do relógio era o ponto focal da minha audiência hipotética.

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Por fim, a demonstração da suíte de gráficos 3D chamada HoloStudio. Aqui, é possível baixar um projeto 3D no qual você já trabalhou antes em um computador, criar um holograma dele e modificá-lo como quiser em realidade aumentada. Quando estiver pronto, você pode enviar de volta para seu computador, ou para uma impressora 3D.

A primeira coisa que você precisa fazer, antes de transformar sua sala em um escritório em realidade aumentada para hologramas 3D, é fazer uma varredura do espaço. Isso diz ao software onde você pode colocar suas criações finalizadas na sala real. Por exemplo, você será capaz de colocar uma placa em realidade aumentada na parede próximo a um quadro, ou em algum outro lugar, como uma mesa ou um sofá.

A demonstração consistia em uma cena de mergulho cartunesca inspirada no Havaí. Dava para ver alguns peixes pequenos azuis, um par de humanos mergulhadores, areia, muitos corais, plantas, anêmonas, esse tipo de coisa.

No começo, era um pequeno holograma – mas eu podia enchê-lo para que ocupasse a sala inteira, e eu estava no meio da cena subaquática. Podia usar meus olhos-cursores para selecionar um dos peixes, copiar e colá-los em outro lugar, e até assoprá-los para que ficassem maiores. Em outra cena, eu era capaz de pintar uma nave X-Wing de Star Wars de laranja. Esses projetos podem ser salvos e enviados para você depois.

A experiência

Você pode estar se perguntando: isso é melhor do que a realidade virtual? É uma ótima pergunta! Para mim, são duas coisas completamente diferentes. Enquanto a realidade virtual está sendo preparada para ser um planetário IMAX em 360 graus, a realidade aumentada rompe a linha que separa o real do virtual, muito mais do que os dispositivos VR conseguem fazer. É um tipo de diversão muito diferente ver um monte de extraterrestres orbitando a cabeça do seu amigo na vida real, ou olhando para os retratos de família que estão na parede da sua casa para logo depois abrirem fogo contra você.

Nunca joguei nada como Project X-Ray antes, então se a Microsoft conseguir fazer a experiência ficar sem falhas, as oportunidades criativas para desenvolvedores são ilimitadas. Pense como seria legal balançar um taco de golfe em realidade aumentada no quintal de casa e ainda poder observar a bola holográfica voar até atingir a janela do seu vizinho, ou então colocar um show de fogos de artifícios holográfico no céu noturno.

No geral, posso dizer que foi algo completamente diferente de tudo o que vivenciei antes. Ainda há motivos para ficar cético: o campo de visão estreito precisa ser ampliado para atingir o mesmo nível de imersão da realidade virtual – isso ainda não mudou, e precisa ser consertado. E a qualidade dos hologramas em si, assim como a precisão do posicionamento deles na sala, eram às vezes pouco confiáveis e inconsistentes, então isso precisa ser trabalhado também.

Além disso, o HoloLens só estará disponível para desenvolvedores e compradores comerciais nos EUA por US$ 3.000 no primeiro trimestre de 2016, então vai demorar um pouco até que as pessoas comuns tenham acesso a ele.

Até lá, saiba que os hologramas já são realidade, e algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo estão trabalhando para trazê-los até nós.

Imagens via Microsoft