Grandes potências mundiais estão envolvidas em uma nova corrida armamentista para desenvolver a tecnologia do míssil hipersônico. Enquanto os Estados Unidos fazem testes de campo, a Rússia já está bem adiantada — inclusive, usando esse tipo de armamento no conflito na Ucrânia.

Um míssil hipersônico é um novo armamento que consegue rasgar o céu em altíssima velocidade, a pelo menos cinco vezes a velocidade do som (o que corresponde a mais de 6.125 quilômetros por hora). Diferentemente dos mísseis tradicionais — que tem uma trajetória balística –, o hipersônico pode ser manobrado durante o voo, antes de atingir o alvo pretendido.

A vantagem desse tipo de armamento é que ele pode ser usado para acertar alvos distantes, podendo ser lançado de aviões ou, até mesmo, de foguetes espaciais. Além disso, a alta velocidade, a capacidade de manobrar e a possibilidade de viajar em baixa altitude dificultam o seu rastreamento por radar.

Mais do que isso, essas armas também podem transportar ogivas nucleares e penetrar sistemas antimísseis, inclusive desviando de ataques defensivos.

A corrida pelo míssil hipersônico

Em março, em meio à invasão russa na Ucrânia, os Estados Unidos confirmaram que a Rússia lançou mísseis hipersônicos dentro do território ucraniano, atingindo um depósito de munição militar do país invadido (tuíte abaixo). Esta é a primeira vez que se tem notícia do uso desse tipo de arma em um combate real, o que manda uma mensagem ao Ocidente sobre as capacidades militares russas.

Os EUA também vêm desenvolvendo o seu próprio míssil hipersônico, com a expectativa que ele esteja pronto para uso ainda esse ano. Recentemente, os americanos realizaram um primeiro teste bem-sucedido, com um míssil ultrapassando a marca de 5 vezes a velocidade do som e viajando mais de 480 km.

Outra potência investindo fortemente em mísseis hipersônicos é a China. Em agosto passado, o país conseguiu lançar um míssil que contornou o globo e pousou próximo a um alvo pré-determinado. Além disso, os Estados Unidos afirmam que os chineses têm uma espécie de arma planadora hipersônica que tem a capacidade de permanecer em órbita baixa por um período prolongado antes de atingir um alvo, o que tornaria um ataque ainda mais imprevisível.