A startup chinesa Rokid encontrou um nicho de mercado único e um pouco aterrorizante para sua tecnologia de inteligência artificial e realidade aumentada em meio à pandemia de coronavírus: óculos inteligentes que medem a temperatura das pessoas ao redor.

A empresa, que tem sede em Hangzhou, já vendeu cerca de 1.000 pares para governos, empresas e escolas, segundo uma reportagem da Reuters. Embora seus produtos sejam tipicamente adaptados aos mercados de manufatura e videogame, a Rokid recentemente se dedicou a criar uma maneira melhor de otimizar a triagem dos sintomas de COVID-19. Em cerca de duas semanas, a empresa desenvolveu o que chama de seus óculos T1, um dispositivo que pode “ver” as temperaturas das pessoas a até 3 metros de distância.

Eis como funciona: os óculos vêm equipados com um sensor infravermelho que mede temperaturas próximas com a ajuda de uma câmera e comunica essas informações em tempo real ao visor. Segundo Liang Guan, diretor da Rokid nos EUA, o aparelho tem uma CPU da Qualcomm e uma câmera de 12 megapixels. Ele pode usar recursos de realidade aumentada para capturar fotos e vídeos sem usar as mãos.

Dada a prevalência de pontos de verificação fixos com termômetros em parques industriais e espaços públicos em toda a China em meio ao surto, o vice-presidente da Rokid, Xiang Wenjie, disse à Reuters que a demanda por seus óculos T1 está aumentando rapidamente.

“Além da medição de temperatura fixa, o T1 pode fornecer verificações de temperatura portáteis, distantes e rápidas, o que seria uma grande ajuda”, disse Xiang.

No início de abril, a Rokid informou que também estava negociando acordos para fornecer seus óculos inteligentes T1 para hospitais e governos locais dos EUA, de acordo com o TechCrunch.

Em 2018, Rokid concluiu uma rodada de financiamento de “bilhões de dólares”, de acordo com o site da empresa, liderada pelo banco suíço Credit Suisse, pela holding cingapuriana Temasek e por outros. Atualmente, a empresa está trabalhando em um modelo atualizado capaz de várias leituras de temperatura ao mesmo tempo, o que permitiria verificar rapidamente espaços lotados, como shoppings e aeroportos, segundo a Reuters.

As autoridades chinesas vêm adotando medidas tecnológicas cada vez mais orwellianas para rastrear a disseminação do coronavírus em fevereiro, e alguns grandes nomes da tecnologia dos EUA vem seguindo o exemplo. A Amazon, por exemplo, começou a usar câmeras térmicas para escanear rapidamente trabalhadores em seus armazéns e instalações de entrega para encontrar quem pode estar com febre.