A Amazon segue em sua investida de convencer autoridades de que a empresa é um ótimo local para se trabalhar, mesmo após inúmeras denúncias de funcionários sobre práticas abusivas — uma das mais recentes de que eles não podem tirar um intervalo para almoçar ou descansar. Agora, mais uma controvérsia: dezenas de perfis falsos no Twitter têm se passado por empregados da varejista e defendido as condições de trabalho oferecidas pela companhia.

A notícia surgiu durante uma eleição sindical entre funcionários da Amazon na cidade de Bessemer, no Alabama (EUA). Eleição esta que as contas fakes na rede social eram contra.

Os perfis falsos geralmente começam com “AmazonFC”, que faz referência a uma estratégia antiga da empresa para destacar embaixadores para falar bem do trabalho nos centros de distribuição da entidade, seguido por um primeiro nome e a suposta designação daquela pessoa dentro dos depósitos da Amazon. Todas essas contas elogiam o ambiente e as condições de trabalho oferecidas pela companhia aos funcionários, ao mesmo tempo que desmentem relatórios e preocupações que envolvam essas condições, incluindo acidentes.

De acordo com o The Guardian e o BBC News, muitas contas foram criadas recentemente e não possuem muitos tweets — e os poucos que estão ali são para elogiar a Amazon. Boa parte dos perfis já foi derrubada pelo Twitter, mas esta não teria sido a primeira vez que um exército de perfis falsos teria sido levantado para falar bem das condições trabalhistas da Amazon. Em 2018 e 2019, quando as mesmas críticas surgiram contra a varejista, várias contas de novos usuários e que não existem mais apareceram para defendê-la.

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Um porta-voz da Amazon confirmou que alguns dos últimos tweets defendendo a empresa eram mesmo de contas falsas, mas não esclareceu quantos perfis são administrados por embaixadores de verdade ou por funcionários da companhia que atuam como embaixadores. “Solicitamos ao Twitter para investigar e tomar as medidas adequadas”, completou o porta-voz. Pelo menos 56 contas de embaixadores foram identificadas.

O perfil oficial Amazon News também divulgou um posicionamento, este em resposta ao político Mark Pocan, de Wisconsin. “A verdade é que temos mais de 1 milhão de empregados incríveis espalhados pelo mundo, que têm orgulho do que fazem, ótimos salários e cobertura de saúde desde o primeiro dia [de trabalho]”, escreveu a conta.

(Tradução do tuíte: Você não acredita nessa história de fazer xixi em garrafas, certo? Se isso fosse verdade, ninguém trabalharia para nós. A verdade é que temos mais de meio milhão de funcionários incríveis ao redor do mundo, que estão orgulhosos do que fazem e têm ótimos salários e planos de saúde desde o primeiro dia)

Anteriormente, a Amazon já havia se recusado a fornecer informações sobre essas contas, incluindo se as pessoas que cuidam dos tais perfis são remuneradas por hora ou serviço extras por acumular essas funções nas redes sociais.

Provavelmente, esse é mais um capítulo na disputa travada entre a Amazon e seus funcionários, que cobram melhores condições de trabalho. Fato é que, se a eleição no Alabama formar mesmo um sindicato de trabalhadores, outros estados americanos podem seguir o mesmo caminho.

[The Guardian, BBC News]