O laboratório farmacêutico Pfizer anunciou nesta segunda-feira (9) que sua vacina experimental contra o novo coronavírus é 90% eficaz na prevenção da doença. Os dados fazem parte da primeira análise da fase 3 do estudo, a última antes de a companhia solicitar a homologação do produto — e, consequentemente, iniciar a distribuição do medicamento à população. A vacina é desenvolvida em uma parceria da Pfizer com a farmacêutica alemã BioNTech.

De acordo com a companhia, a eficácia foi comprovada em voluntários que tomaram a vacina e que não foram contaminados previamente pelo SARS-CoV-2. A empresa observa que nenhum sintoma grave foi identificado durante a testagem. Na prática, isso quer dizer que, de cada 10 pessoas que tomaram a dose, 9 não ficaram doentes. É uma taxa bastante considerável e equivalente a vacinas infantis consideradas altamente eficazes na prevenção de doenças, entre elas o sarampo.

Cerca de 44 mil pessoas participam dos testes, que estão sendo realizados em seis países, incluindo o Brasil. A Pfizer disse que chegou aos resultados preliminares da fase 3 após 94 voluntários serem diagnosticados com COVID-19, embora não tenha sido informado quantas dessas pessoas tomaram a vacina e quantas receberam o placebo. A companhia ainda afirma que o estudo continuará até que sejam registrados 164 casos de COVID-19 entre os participantes, algo que a Pfizer espera que aconteça até dezembro, uma vez que as taxas de contágio continuam aumentando.

Como o estudo não foi concluído, os dados ainda precisam passar por revisão de um conselho independente de outros cientistas — e só então serem publicados em revista científica.

Kathrin Jansen, vice-presidente sênior e chefe de pesquisa e desenvolvimento de vacinas da Pfizer, afirmou que a meta é chegar a uma vacina totalmente segura em até um ano. Mas antes, a empresa já planeja produzir uma quantidade massiva de doses: entre 15 e 20 milhões até o final de 2020. A farmacêutica pretende buscar uma autorização emergencial junto à Food and Drug Administration (órgão estadunidense equivalente à nossa Anvisa) para liberar a produção da vacina o quanto antes e atingir a meta.

A vacina da Pfizer começou a ser desenvolvida no final de janeiro deste ano. Os cientistas fazem uso de uma tecnologia controversa que não é aprovada para testes em humanos: ela usa mRNA. A técnica consiste em injetar material genético no tecido muscular para estimular o organismo a produzir naturalmente a proteína encontrada na COVID-19. O sistema imunológico então reconhece o vírus e aprende a atacá-lo, criando uma defesa natural.

Um desafio para a vacina da Pfizer é a logística, pois o material precisa ser armazenado em temperaturas super-frias, em torno de -80 graus Celsius, o que dificulta o transporte e o armazenamento. A empresa se diz confiante para enfrentar essas questões.

É importante destacar que, até o momento, a vacina da Pfizer se utiliza de duas doses para alcançar sua eficácia. Todas as vacinas na fase 3 de estudo seguem essa metodologia, com exceção da vacina da Janssen Pharmaceuticals, que pertence ao grupo Johnson & Johnson — o medicamento desenvolvido pelo laboratório é de dose única, e os resultados preliminares devem ser divulgados no início de 2021.

[The New York Times, Stat News]