Além do baixo consumo de energia e excelente legibilidade sob a luz solar, as telas eletrônicas do tipo e-ink são tão flexíveis quanto as OLED. Embora os smartphones e tablets dobráveis tenham ganhado as manchetes, os e-readers em breve poderão virar o centro das atenções.

O Goodereader, um site dedicado a notícias de leitores digitais, compartilhou um vídeo de um protótipo desenvolvido pelo laboratório de pesquisa e desenvolvimento da E Ink em Tóquio. Nos últimos anos a empresa tem feito demonstrações privadas de seus protótipos dobráveis em feiras como a CES, mas esta é uma das primeiras vezes que o público pode dar uma olhada na novidade, que parece estar bem próximo de uma versão para o consumidor final.

O leitor digital tem aproximadamente o tamanho de um livro de capa dura quando fechado. Ao abri-lo, ele revela uma generosa tela de 10,3 polegadas, capaz de exibir ambas as páginas de um livro ao mesmo tempo.

Um mecanismo de dobradiças garante que, quando o leitor é fechado, a tela não seja apertada a ponto de poder ser danificada (um problema que ainda atormenta a maioria dos dispositivos de tela dobrável) e uma generosa moldura inclui botões de navegação dedicados.

A própria tela também aceita gestos e toques, e o protótipo tem ainda a tecnologia Wacom embutida (semelhante aos dispositivos E Ink como o tablet reMarkable) para que uma caneta stylus possa ser usada para tomar notas ou fazer desenhos.

O protótipo também demonstra alguns dos desafios únicos da tecnologia e-ink. Enquanto as telas OLED se iluminam sem a necessidade de uma camada de luz (que é necessária para telas LCD e LED, e é por esse motivo que ainda não temos displays flexíveis nessas tecnologias), os e-readers frequentemente usam luzes laterais de LED discretas para que o conteúdo seja legível no escuro.

Neste protótipo, os LEDs foram integrados em uma barra dobrável na parte superior e fazem um trabalho decente na iluminação da tela, mas ainda há alguns pontos escuros no meio, e as barras têm que ser dobradas para trás novamente antes que o e-reader possa ser fechado.

Não há detalhes sobre quando veremos os dispositivos dobráveis com tela e-ink disponíveis para os consumidores. A empresa não fabrica os dispositivos em si, mas licencia sua tecnologia de tela para empresas como Amazon e Kobo, que produzem e-readers como o Kindle e o Kobo Nia.

Este protótipo é mais uma prova de conceito que a empresa pode utilizar para demonstrar outros usos para sua tecnologia de papel eletrônico. Mas se ela conseguir encolher aquela moldura e encontrar uma maneira melhor de implementar a iluminação LED, vai ficar show de bola.