O sistema de “crédito social” da China — uma das coisas mais distópicas existentes e que parece ter saído de um episódio de Black Mirror — está perto de se tornar realidade.

O sistema de ranking social vai começar a ser adotado em Pequim em 2021, segundo noticia a Bloomberg. Nele, os moradores da cidade chinesa serão julgados com base em dados sociais no fim de 2020. O programa basicamente distinguiria indivíduos que violassem leis ou códigos sociais e, assim, restringiria o acesso deles a serviços como viagens e certos benefícios.

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O plano foi originalmente postado no site de Pequim em julho, mas a agência estatal Xinhua só observou os detalhes na última terça-feira. Segundo os planos destacados pela Comissão Municipal de Desenvolvimento e Reforma e noticiados pela Xinhua, o sistema de ranking poderia afetar de tudo: do acesso a serviços públicos à capacidade de abrir uma empresa ou encontrar um emprego. Informa a Bloomberg:

A capital usará dados de vários departamentos para recompensar e punir cerca de 22 milhões de cidadãos baseados nas ações e na reputação deles até o fim de 2020, segundo um plano detalhado no site da prefeitura de Pequim na segunda-feira. Aqueles com um bom crédito social terão caminho aberto para benefícios, enquanto aqueles que violam as leis terão uma vida mais difícil.

Esse projeto em Pequim vai melhorar sistemas de blacklist de modo que aqueles considerados indignos de confiança “não consigam dar um passo sequer”, segundo o plano do governo.

Uma versão anterior da proposta, citada por Rachel Botsman, da Wired, no último ano, tinha como objetivo “forjar um ambiente de opinião pública em que manter a confiança seja algo glorioso”.

Embora tais programas já tenham sido introduzidos em escala reduzida (como em casos de empréstimo de dinheiro) na China, o sistema de crédito social de Pequim teria um grande impacto na qualidade de vida das pessoas. A Bloomberg observa que a iniciativa de Pequim está entre “as mais ambiciosas” quando comparada com programas similares implementados em outras cidades chinesas e que o perfilamento social será baseado em dados coletados por diversas agências do governo.

A Reuters, citando trechos no site da prefeitura de Pequim, informa que, em março, qualquer pessoa poderia ser afetada com baixa pontuação ao “espalhar falsas informações sobre terrorismo e por causar problemas em voos, assim como aquelas que tentam usar passagens vencidos ou que fumam em trens”. Os programas de crédito social que estão em funcionamento já impediram mais de 11 milhões de pessoas de voarem e outras quatro milhões de viajarem em trens-bala.

Entre isso e um sistema amplo de vigilância, a China parece que está próxima de se tornar um pesadelo orweliano.

[Bloomberg]