por Daniel Junqueira

O momento mais surpreendente do evento Samsung Unpacked não esteve centrado nos novos Galaxy S7 e S7 Edge. A empresa disponibilizou headsets Gear VR para todos os convidados da coletiva, e algumas partes da apresentação foram feitas através de vídeos em 360 graus. Em alguns momentos, 5.000 pessoas que estavam na mesma sala fisicamente foram imersas em uma experiência de realidade virtual.

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E, durante um desses momentos, enquanto todos estavam com os olhos e a mente em outro lugar, Mark Zuckerberg atravessou a sala e foi até o palco.

Ninguém esperava Zuckerberg em um evento da Samsung, mas lá estava ele. E não para falar sobre o Facebook, ou algo que relacionasse o Facebook aos novos smartphones da Samsung (embora Facebook, WhatsApp e Instagram venham pré-instalados no dispositivo), e sim para falar sobre a realidade virtual. Afinal de contas, Zuckerberg também é o dono da Oculus, sendo, assim, um dos principais apoiadores da VR.

Realidade virtual e social

No palco, Zuckerberg definiu a realidade virtual como a próxima grande plataforma, com conteúdo que pode ser produzido e vivenciado por todos. A sua entrada no evento gerou uma foto curiosa: pessoas sentadas com o Gear VR na cabeça enquanto ele andava ao lado sem que ninguém percebesse.

Podemos dizer que aquelas pessoas estavam fechadas em seu mundinho virtual sem perceber o que acontecia ao seu redor. Talvez seja mais ou menos essa a ideia que a VR passe: você se isola do mundo real e passa a viver em um próprio. Mas Zuckerberg acredita que ela vá muito além disso. Ele acha que a realidade virtual também pode ser social.

As investidas do Facebook na área vão além da compra da Oculus: a empresa já disponibilizou uma plataforma para vídeos em 360 graus na rede social, e até mesmo desenvolveu uma técnica para diminuir o tamanho desses vídeos. Aparentemente está dando certo: mais de 1 milhão de pessoas assistem diariamente a esses vídeos, e mais de 20.000 vídeos em 360 graus já foram enviados pelos usuários do Facebook.

Ele também disse que, em parceria com a Samsung, o Facebook está desenvolvendo a próxima geração de apps sociais para a realidade virtual. Zuckerberg pediu para a plateia imaginar como seria se sentar em frente a uma fogueira com seus amigos sem que todos precisassem estar no mesmo lugar físico, ou como reuniões de negócios podem melhorar com o uso da tecnologia.

Tudo bem, o Facebook vê um potencial social para a realidade virtual. Mas, para ela ser social, ela precisa ser amplamente adotada pelo mundo. Será que estamos perto disso?

Para quem é a realidade virtual?

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Em 2016, a realidade virtual será para poucos. Mesmo o Samsung Gear VR, o mais barato dos dispositivos, não é exatamente acessível. Nos EUA, ele custa US$ 100 (no Brasil, R$ 799), mas exige um smartphone da Samsung – e não um dos baratos.

Por enquanto ele só funciona com o Galaxy Note 5, S6 Edge, S6 Edge+ e S6, e logo também será compatível com o S7 e o S7 Edge. É o topo da pirâmide de produtos da Samsung, a parte cara que poucos têm acesso. Então o mais acessível dos dispositivos de realidade virtual ainda é para muita pouca gente, e a previsão para o futuro próximo não é lá muito animadora.

É normal que novas tecnologias comecem a preços exorbitantes e aos poucos passem a custar menos, atingindo um público maior. Mas, pelo jeito, a realidade virtual vai demorar um pouco mais do que as outras. O HTC Vive, feito em parceria com a Valve, custará US$ 799 e exigirá um computador bastante potente para rodar.

Isso em 2016. Mas e nos próximos anos? Segundo o Polygon, é bom não se animar muito. Jeff Gatis, da HTC, estima que os preços não devem cair nos próximos três a cinco anos. É pouco provável que em 2020 a realidade virtual já esteja em um preço aceitável – e não estamos falando dela podendo ser comprada por tanta gente como, digamos, um console de videogame.

Mas a aposta na tecnologia é alta. Tão alta que as empresas já estão se preparando para o mundo em que todos vão poder criar vídeos imersivos em casa.

Câmeras para todos

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O maior desafio de novas tecnologias como a realidade virtual é a oferta de conteúdo. De nada adianta oferecer aos consumidores um headset desses, por melhor que ele seja, se não tiver nada para fazer com ele. Mais do que fechar acordos com produtores de conteúdo – seja estúdios de jogos, ou mesmo de filmes e séries de TV -, as empresas querem que todos sejam capazes de criar as próprias experiências imersivas. E como fazer isso? Com as câmeras que gravam em 360 graus.

Samsung e LG estão apostando nisso: as duas empresas apresentaram durante a Mobile World Congress as suas câmeras VR, que são bem diferentes do ponto de vista de design, apesar de funcionalidades bastante parecidas.

A Samsung Gear 360 (imagem acima) parece um globo ocular que vê pelos dois lados: ela tem duas lentes de 15 megapixels grande angulares que juntam as imagens capturadas para exibir o vídeo em 360 graus. Ela pode ser usada tanto independentemente quanto em parceria com o S7. Ela será lançada junto ao Galaxy S7 e S7 Edge, sem preço anunciado.

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Já a LG 360 Cam usa duas câmeras esféricas de 13 megapixels e grava vídeos em resolução 2K. Segundo a coreana, as imagens capturadas com ela poderão ser enviadas para o YouTube e para o Google Street View. Ela pode se conectar ao LG G5 para criar imagens em 360 graus. Ainda não há preço e nem data de lançamento.

Estas não são as primeiras câmeras de 360 graus do mercado, mas se destacam por serem ofertas de duas grandes empresas do mercado.

As pessoas querem VR?

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Pelo jeito, sim. Não era nada difícil encontrar alguma demonstração de realidade virtual durante a Mobile World Congress. Samsung e LG levaram seus headsets e ofereceram experiências em 4D – as pessoas sentavam em cadeiras que se mexiam, fazendo a experiência de um passeio de montanha russa ficar ainda mais realista. Além deles, outros expositores também ofereciam algum tipo de experiência, como a operadora sul-coreana SK Telecom, que tinha em seu estande um passeio virtual de submarino.

Andando pela feira, era fácil encontrar dispositivos Oculus Rift e Gear VR em estandes. Tão fácil quanto isso era encontrar filas enormes e esperas estimadas de 45 minutos pela sua vez de testar os aparelhos. Um indício de que as pessoas estão, sim, interessadas em conhecer a realidade virtual. Se elas vão se empolgar a ponto de comprar um desses headsets no futuro, aí é outra história.

Confira os principais lançamentos do Mobile World Congress 2016:

O Gizmodo Brasil viajou a Barcelona a convite da Samsung