Tradicionalmente, a Samsung dá o pontapé inicial para novos produtos entre fevereiro e março. Mas em 2021 as coisas foram diferentes, e a companhia resolveu se antecipar com o lançamento de vários dispositivos. Entre eles um dos carros-chefe da casa: o Galaxy S21 Ultra, que chega menor e melhor em quase todos os sentidos.

Ano após ano, a companhia se supera. E agora o cenário continua o mesmo, pois, hoje, o Galaxy S21 Ultra é o melhor smartphone Android que você vai encontrar no mercado. Não somente porque tudo foi escalonado em comparação com o S20 Ultra do ano passado, mas também pela adição de recursos bem interessantes – o mais notável dele é o suporte à canetinha S Pen, que até então era exclusiva da linha Galaxy Note. Essa novidade chega ao mesmo tempo que a companhia remove itens básicos da caixa do produto, como os fones de ouvido e o carregador.

Por cerca de duas semanas tive a oportunidade de testar o novíssimo celular da Samsung, que chega ao Brasil agora em março. A seguir eu te conto as minhas impressões e se vale a pena gastar um dinheirão no produto.

Samsung Galaxy S21 Ultra

O que é
O melhor smartphone Android do momento para quem tiver dinheiro para gastar

Preço
Sugerido: R$ 9.499 (256 GB) e R$ 10.499 (512 GB)

Gostei
De novo, a Samsung mandou muito bem na tela com taxa de atualização dinâmica de até 120 Hz; brilho excelente de até 1.500 nits; zoom óptico que faz bonito em até 10x; traseira fosca elegânte

Não gostei
Fones de ouvido e carregador ficaram de fora; One UI é bonita, mas traz apps duplicados sem necessidade; com uso intenso, o aparelho dá aquela esquentadinha

Design

Para este ano, a Samsung optou por manter características mais robustas apenas no modelo Ultra. E isso se reflete em todo o design do S21 Ultra, o único com tela curva nas laterais e a traseira em vidro Gorilla Glass Victus. O acabamento é muito bem feito e, mesmo preferindo smartphones que fogem das cores clássicas preto e branco, confesso que a traseira fosca do dispositivo em um preto intenso (Phantom Black) foi uma decisão acertada da fabricante.

O módulo para as câmeras traseiras mudou: sai de cena o recorte “colado” do S20 Ultra para dar lugar a uma peça única com todos os sensores fotográficos. Essa peça se estende para a lateral do celular, criando uma moldura que até causa um certo estranhamento de início, mas que é fácil se acostumar. Por ser uma moldura maior, a protuberância do módulo fica bem evidente ao colocar o telefone com a tela para cima. Portanto, o ideal é usar uma capinha protetora para evitar possíveis danos.

Por falar em case de proteção, se você for usar a S Pen, eu recomendo que compre o acessório que vem com um espaço dedicado à caneta inteligente, já que não há um slot dentro do S21 Ultra. Com essa capa especial, adicione também mais peso e espessura para um telefone que já não é nem pequeno, nem leve, uma vez que ele pesa 227 gramas. Mas isso você já sabe, pois o S21 Ultra não se vende como um dispositivo compacto. Felizmente, ele tem uma boa pegada e não escorrega nas mãos.

Tela

Falar que a Samsung fabrica painéis excelentes é chover no molhado. Logo, não é nenhuma surpresa que o display AMOLED do Galaxy S21 Ultra é um dos que oferecem melhor qualidade se tratando de smartphones. Ele está menor do que o S20 Ultra do ano passado – 6,8 contra 6,9 polegadas, respectivamente -, mas nem por isso o restante das características foi perdido. Ao contrário: é o primeiro celular da marca com taxa de atualização de até 120 Hz.

Quando eu digo “até” é porque o S21 Ultra varia automaticamente essa taxa entre 10 Hz e os citados 120 Hz de acordo com o que você estiver fazendo no telefone. Se preferir, você tem a opção de cravar permanentemente a taxa nos 120 Hz para que a visualização seja mais fluida o tempo todo. Também é a primeira vez em um smartphone da Samsung que você não precisa escolher entre uma taxa de atualização mais natural ou resolução maior. Ou seja, se você quiser deixar as configurações no máximo, pode colocar os 120 Hz de atualização em WQHD+ (3.200 x 1.440 pixels). Mas é aquela coisa: nesse cenário, a bateria vai para o espaço rapidinho.

Brilho é outro detalhe que impressiona no S21 Ultra, especialmente se você compará-lo com outras versões da linha S21. O brilho máximo alcança picos de até 1.500 nits, que é o maior já colocado em um aparelho Galaxy e 25% mais brilhante que o modelo da geração passada. Das vezes que usei o celular embaixo do sol, não tive nenhum problema de visualizar as imagens na tela. E a experiência ao assistir uma série ou filme em 4K e com HDR foi muito satisfatória.

Completam o display um pequeno buraco no topo central que abriga a câmera de selfie de 40 MP e um novo leitor de impressões digitais ultrassônico, que está 50% mais rápido em comparação com a versão anterior. Segundo a Samsung, a área para posicionar o dedo está 70% maior do que no S20 Ultra, então são poucas as chances de você errar o sensor ao colocar o dedo em cima da tela. Foi um recurso bastante útil nos meus testes, ainda mais agora em tempos de pandemia, em que funções de reconhecimento facial encontram dificuldades para reconhecer o nosso rosto usando máscara.

Hardware e bateria

Por figurar entre os primeiros dispositivos lançados no ano, a linha Galaxy traz sempre os processadores mais potentes para Android. Eu digo no plural porque a Samsung ainda se apega à estratégia de lançar duas versões do Galaxy S21 Ultra: uma com o Snapdragon 888, da Qualcomm, e que fica restrita aos Estados Unidos; e outra com o Exynos 2100, chipset fabricado pela própria Samsung. Se você me perguntasse no ano passado, no lançamento do Galaxy S20 Ultra, se havia uma diferença entre os processadores daquela época, eu responderia que sim. E era uma divergência perceptível em determinadas situações.

Agora no S21 Ultra, as coisas estão melhores porque o Exynos 2100 e o Snapdragon 888 são chips muito parecidos no quesito performance. A não ser que você faça questão de checar mil e um testes de benchmarks, vídeos do Digital Froundy e afins, pode ficar tranquilo que a versão com Exynos 2100 – que é a vendida no Brasil – vai atender todas as suas necessidades.

Em 14 dias de uso, a unidade do Galaxy S21 Ultra cedida pela Samsung não travou, não apresentou lentidão e rodou tudo com a maior fluidez que você espera de um Android topo de linha. O que ficou evidente foi a temperatura do aparelho: ele esquenta muito quando colocado sob pressão em algum ou vários apps mais pesados. Acredito que problemas superaquecimento, como foi o caso do Galaxy Note 7, certamente estão descartados. Mas não nego que em alguns momentos a traseira mais quente do S21 Ultra me fez erguer a sobrancelha.

Ainda na parte interna, o modelo do S21 Ultra que eu testei veio com 12 GB de RAM e 256 GB de capacidade. E aqui entramos em um ponto importante: a Samsung, pelo menos na linha Galaxy S deste ano, não inclui slot para microSD. A memória que você comprar é aquela e pronto. Logo, se você costuma armazenar muita coisa no celular, você terá duas opções: gastar rios de dinheiro no modelo com 512 GB ou investir uma grana menor (mas ainda assim muita grana) e partir para armazenamento na nuvem.

Do lado da bateria, a Samsung também não decepcionou. Aqui, temos os mesmos 5.000 mAh do Galaxy S20 Ultra, mas o dispositivo deste ano entrega uma melhor eficiência energética devido ao processador mais avançado. Com uso moderado de redes sociais, Netflix e Disney+, jogos de corrida e um pouco de leitura no decorrer da minha rotina, eu só precisei de uma nova recarga depois de um dia e meio.

Em um dos testes e com a bateria nos 100%, eu liguei o S21 Ultra às 09h00 e deixei por sete horas reproduzindo conteúdo na Netflix. Nesse meio tempo, fui abrindo o WhatsApp, Instagram, Discord e Notion, e depois foquei mais em jogar Asphalt 9 por cerca de 20 minutos em alguns intervalos, além de ouvir músicas e podcasts no Apple Music por quase todo o dia. Detalhe: eu deixei a tela no brilho máximo, na maior resolução e taxa de atualização possíveis, o Bluetooth ligado e alternando entre 4G e Wi-Fi. Por volta das 22h00, a bateria caiu da carga total para 47%. Eu até tentei usar o smartphone em redes 5G, que agora equipa toda a família Galaxy S21, mas a única vez que o celular encontrou uma conexão, ela não durou mais do que dois minutos. Em todo o caso, já vai se preparando: o 5G drena bastante a bateria.

Para fechar, é impossível passar batido pela ausência de itens básicos na embalagem do Galaxy S21 Ultra, como o carregador e os fones de ouvido. Esse foi um movimento iniciado pela Apple com o iPhone 12, sob a justificativa de diminuir as emissões de carbono, reduzir o lixo eletrônico e preservar o meio ambiente. A Samsung colou na onda da concorrente e deu a mesma explicação, mantendo na caixa do produto apenas o cabo de duas pontas USB-C.

Na tentativa de contornar a situação, a sul-coreana fechou um acordo com o Procon-SP, que já havia notificado a Apple pela remoção do carregador, para fornecer o item gratuitamente a todo mundo que comprar um Galaxy S21 durante o período de pré-venda. Só que isso se encerra agora no dia 7 de março. Após essa data, não tem muito o que fazer: se você já tinha um carregador com saída USB-C, poderá usá-lo sem problemas. Caso contrário, coloque mais alguns reais na conta.

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Câmeras

O sufixo “Ultra” do Galaxy S21 Ultra não é à toa: além da performance, o sistema de câmera é o que torna o smartphone um dos mais poderosos do mercado quando o assunto é fotografia. E a Samsung não está para brincadeira, pois, para seu principal (ou o primeiro grande) dispositivo de 2021, a companhia foca em dois pilares: zoom e estabilidade.

Pegando carona no bonde do superzoom, o Galaxy S21 Ultra não tem uma, mas duas câmeras teleobjetivas de 10 MP cada com zoom óptico de 3x e 10x. Ambas possuem estabilização óptica de imagem e, juntas, criam um zoom híbrido de 100x.

Na prática, o resultado me lembrou bastante o zoom óptico do Huawei P30 Pro, mas o celular da Samsung consegue fazer melhor. Com 10x de zoom aproximado e estabilização óptica, as imagens não perderam qualidade, mesmo não mantendo o aparelho totalmente parado nas minhas mãos. O que eu notei é que, quanto maior for o zoom, mais luminosidade é necessária para evitar ruído nas fotos. É aí que as coisas se perdem um pouco, já que, passando do zoom de 10x, fica difícil manter a estabilidade e qualidade ao mesmo tempo. É um ou o outro.

Quanto ao zoom híbrido de 100x, para mim foi totalmente dispensável. Além de ser chato tentar estabilizar a lente, a resolução fica baixíssima. Eu até tentei capturar alguma coisa usando um tripé para tentar registrar a Lua ao longe, mas nem assim funcionou. E quando parecia que ia dar certo, foi eu abrir a galeria para notar aquele efeito um tanto artificial.

Esse não é o caso do modo noturno. É verdade que as cores não retratam como, de fato, é o mundo real. Mas no Galaxy S21 Ultra as imagens noturnas não são muito diferentes de outros dispositivos que são excelentes nesse quesito, como o Google Pixel e os iPhones.

O sensor primário ainda tem 108 MP e elimina os problemas de foco automático do Galaxy S20 Ultra do ano passado. Ao clicar em um determinado ponto da tela, o foco se voltou para aquela área, mas sem desprezar o restante do cenário. As fotos saíram com cores vivas, sem distorção ou sem que os cantos ficassem com menos contraste do que a parte central ou a parte em que direcionei o foco da lente. Mesmo com a tendência deixar as cores em tons mais intensos, o sensor principal equilibrou muito bem o brilho e as sombras.

O S21 Ultra também inclui uma câmera ultra-angular de 12 MP com um foco a laser para ajudar na captura de paisagens e com maior angulação. Não é o meu sensor favorito em smartphones porque ele só amplia a angulação, mas cumpre o seu papel e não reduz a resolução das fotos.

Na câmera frontal, são 40 MP que mantém o padrão de qualidade dos últimos smartphones Galaxy S. A Samsung trouxe um leve aprimoramento na tecnologia de inteligência artificial que equilibra os tons mais quentes do rosto. Ainda dá para fazer selfies com o modo noturno.

A Samsung também reforça que o Galaxy S21 Ultra é um celular voltado para filmagens em alta definição. E não é para menos: é possível gravar em 8K a 24 quadros por segundo, câmera principal, e 4K a 60 fps, pelo sensor frontal. Talvez o único porém é que jogar isso tudo no talo ocupa uma memória absurda do armazenamento interno do telefone.

Software (e a S Pen que não testei)

Logo de cara quero avisar que ainda não tive a oportunidade de testar a S Pen no Galaxy S21 Ultra. Mas só de saber que ela é compatível com o dispositivo, imagino as possibilidades, principalmente para quem já estava acostumado com o uso em um Galaxy Note. Tecnicamente, você pode usar no S21 Ultra qualquer modelo de caneta compatível com a linha Note, mesmo aqueles fabricados por terceiros. Mas há ressalvas: o acessório é vendido separadamente, e não há espaço para guardá-lo junto ao smartphone. Além disso, o uso da S Pen parece ficar restrito à escrita, já que ainda não é possível usá-la como um controle remoto.

Partindo para o sistema operacional. A One UI é uma interface que tem se mantido consistente a cada versão, e isso se mantém parcialmente no Galaxy S21 Ultra. A Samsung vem fazendo um bom trabalho em adicionar uma “personalidade” ao visual do Android sem matar o sistema por completo, tornando a experiência familiar mesmo para quem nunca usou um Galaxy. O software aqui é o Android 11 com a One UI 3.1, que não é muito diferente da versão anterior, o que por si só é ótimo.

Por outro lado, eu ainda acho que a Samsung está flertando com o perigo por colocar coisas demais sempre que uma nova atualização é disponibilizada para essa interface. Não chega a ser como era nas primeiras gerações do Galaxy S, que vinha cheio de ferramentas que ninguém usava e que não podiam ser removidas. São coisas pontuais, como serviços do Google e da Samsung que se misturam (dois navegadores, duas lojas de apps, dois gerenciadores), que felizmente você tem a opção de desinstalar a hora que quiser. Só que seria bem mais interessante se isso tudo não viesse pré-instalado de fábrica.

A Bixby continua lá. Não que isso signifique muita coisa: o que posso dizer dos meus dias de uso é que, assim como o sistema operacional, ela está mais útil e eficiente nas respostas. Porém, eu ainda preferi usar o Google Assistente.

De resto, a experiência com a One UI é muito boa em um aparelho gigante como o S21 Ultra. A transição entre aplicativos é simplificada, a navegação pelos menus é fácil e você tem uma gama de personalização visual muito maior do que no iOS da Apple.

Vale a pena?

Posso dizer que “ultra” é pouco para o Galaxy S21 Ultra. Tem uma tela grande e com cores vivas? Sim. Câmeras poderosas que cumprem o que prometem? Também. Desempenho excelente e com a garantia de não enfrentar lentidão e travamentos? Com certeza. O sistema operacional com a One UI pode ter algumas inconsistências, mas no geral complementa a ótima experiência que tive nos últimos dias testando o smartphone mais avançado da Samsung. Inclusive, se você não dá importância para essa disputa sem graça de Android x iOS, o software deve ser o fator determinante caso você tenha uma grana para gastar e esteja na dúvida entre um S21 Ultra e um iPhone 12 Pro Max.

Ao mesmo tempo, o S21 Ultra é um celular marcado por ausências. É a primeira vez que a Samsung deixa de oferecer fones de ouvido e carregador na caixa para um de seus carros-chefes, além de matar a gaveta para cartão microSD. Às vezes o novo padrão não é o melhor, mas o jeito é se contentar com as mudanças que dificilmente serão revertidas.

Se mesmo assim você ainda torce o nariz por um Galaxy S21 Ultra, você tem a escolha de esperar até o segundo semestre do ano, quando a Samsung deve lançar outros dois dispositivos topo de linha: o Galaxy Note S21 Ultra e o Galaxy Z Fold 3 (ou seja lá como eles vão se chamar). O primeiro, que tem sido alvo de rumores que apontam o seu fim, oferece um suporte muito mais otimizado com a S Pen; o segundo, para quem deseja a mesma experiência, mas em uma tela maior e que também pode ganhar compatibilidade com a canetinha.

Em todo o caso, a Samsung acertou de novo, e o Galaxy S21 Ultra se firma como o melhor smartphone Android do momento.