Neste momento, um monte de satélites estão flutuando ao redor da Terra. Isso é ótimo para GPS, monitoramento de padrões climáticos e internet, mas também vai gerar futuramente um monte de lixo espacial. É por isso que a Sumitomo Forestry e a Universidade de Kyoto estão se unindo para criar os primeiros satélites de madeira do mundo até 2023.

“Mas os satélites de metal não queimam na reentrada?”, você pode estar pensando. Aparentemente, a questão não é tão simples. “Estamos muito preocupados com o fato de que todos os satélites que reentram na atmosfera da Terra queimam e criam minúsculas partículas de alumina que vão flutuar na atmosfera superior por muitos anos”, disse Takao Doi, astronauta e professor da Universidade de Kyoto, à BBC. “Eventualmente, isso afetará o meio ambiente da Terra.”

A madeira, no entanto, queimaria inteiramente na reentrada, sem deixar substâncias nocivas na atmosfera nem espalhar detritos perigosos. De acordo com o Nikkei Asia, outro motivo pelo qual os pesquisadores estão fazendo experiências com madeira é que ela não bloqueia as ondas eletromagnéticas ou o próprio campo magnético da Terra. Isso significa que os satélites de madeira podem ter construções mais simples, já que componentes como antenas podem ser colocados dentro do próprio satélite.

Quanto ao tipo de madeira, a Sumitomo Forestry mantém silêncio. A empresa apenas disse à BBC que isso é um segredo de “pesquisa e desenvolvimento”, mas que seria resistente às mudanças de temperatura, luz solar e condições climáticas extremas. A Sumitomo Forestry e a Universidade de Kyoto também disseram que estudariam a viabilidade de construir estruturas de madeira no espaço até março de 2024.

Por enquanto, a Sumitomo Forestry e a Universidade de Kyoto pretendem criar uma “prova de conceito” e pesquisar o crescimento das árvores e como os materiais de madeira se comportam no espaço. O próximo passo, segundo Doi, é criar um modelo de engenharia para o satélite e, posteriormente, um modelo de voo. Mas mesmo que os satélites de madeira deem totalmente certo, é possível que qualquer madeira desenvolvida no processo possa ser usada em ambientes mais extremos na Terra.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial (WEF), existem cerca de 6.000 satélites atualmente em órbita, dos quais 60% não estão mais funcionando. Enquanto isso, estima-se que 990 satélites serão lançados a cada ano durante a próxima década. O WEF também observa que há mais de meio milhão de pedaços de lixo espacial maiores do que uma bola de gude atualmente flutuando ao redor da Terra e 20 mil maiores do que uma bola de softball.

Esses pedaços de lixo não são estáticos. Na verdade, eles estão se movendo a velocidades de até 28 mil quilômetros por hora, a velocidade necessária para permanecer em órbita e não cair de volta no planeta. De acordo com a NASA, mais lixo espacial representa um perigo crescente de colisão com todos os tipos de espaçonaves, incluindo a Estação Espacial Internacional (ISS), ônibus espaciais e qualquer outro tipo de embarcação que possa transportar humanos.

Na verdade, a NASA e os controladores de voo russos já precisam fazer manobras de evasão regularmente para proteger a ISS do lixo espacial. Os destroços nem precisam ser particularmente grandes para causar danos — até mesmo manchas de tinta podem danificar as janelas de um ônibus espacial.

O problema do lixo espacial só está piorando: a SpaceX de Elon Musk e o Projeto Kuiper da Amazon devem lançar milhares de satélites para fornecer internet de baixo custo. Enquanto isso, os astrônomos também estão preocupados porque essas constelações de satélites podem atrapalhar sua capacidade de observar o cosmos. Ainda não se sabe qual a quantidade de satélites de madeira que seriam necessários para aliviar o problema, mas convenhamos, deve ser melhor do que colocar mais lixo de metal lá no céu.