Parece que haverá pelo menos um porto seguro online contra a enxurrada de anúncios políticos que os feeds exibem a cada temporada de eleições: o TikTok.

O popular aplicativo de vídeos curtos não exibirá mais anúncios de políticos ou candidatos de qualquer nível do governo porque “a natureza dos anúncios políticos pagos não é algo que acreditamos ser adequado à experiência da plataforma TikTok”, disse Blake Chandlee, vice-presidente de soluções de negócios globais do TikTok, em um blog post na quinta-feira (3). Essa proibição também abrange “anúncios relacionados a eleições, anúncios de ativismo ou anúncios sobre conscientização de problemas”.

E é verdade, o TikTok não se tornou a quarta maior plataforma de mídia social em tempo recorde facilitando o debate e as discussões políticas; para isso, já temos o Facebook e o Twitter para podermos gritar uns com os outros. Não, a maioria dos usuários acessa o TikTok para postar vídeos bobos de lip-sync ou sua opinião sobre a mais recente hashtag nos trends; e quando há menções à política, geralmente é em referência ao último meme viral.

Embora o TikTok tenha apenas começado a experimentar formatos de anúncios pagos, Chandlee escreveu que, durante todo o processo, a empresa está comprometida em preservar “o sentimento alegre e irreverente do aplicativo” que faz com que os usuários queiram passar seu tempo lá em primeiro lugar. Anúncios políticos geralmente carregados de alfinetadas para derrubar candidatos concorrentes simplesmente não estão em sincronia com isso.

“Para nós, tudo aponta para a nossa missão: inspirar criatividade e gerar alegria”, escreveu Chandlee. “Queremos garantir que estamos construindo um lugar onde nossa comunidade – usuários, criadores e marcas – possa ser criativa, criar tendências e se divertir muito no processo”.

No entanto, esse foco em promover uma atmosfera despreocupada não manteve o TikTok e seu desenvolvedor, Beijing ByteDance Technology Co., livres de escândalos políticos. O governo indiano proibiu temporariamente o aplicativo no início deste ano com base em preocupações de que ele estava sendo usado para espalhar conteúdo ilícito e coordenar campanhas de cyberbullying entre seus supostos 120 milhões de usuários ativos mensais. A ByteDance também recebeu críticas por censurar vídeos sobre protestos antigovernamentais em Hong Kong, segundo o Guardian.