Na surdina, o TikTok atualizou sua política de privacidade no início desta semana de uma forma que permite à empresa coletar automaticamente grandes quantidades de informações sobre usuários nos Estados Unidos — inclusive dados sobre rostos e voz.

A mudança de política, identificada pelo TechCrunch, afirma que a rede social “pode coletar identificadores biométricos e informações biométricas conforme está definido nas leis dos EUA”, incluindo “impressões faciais” e “impressões de voz” de vídeos que os usuários carregam para sua plataforma. A empresa também observa que “quando exigido por lei”, ela buscará “todas as permissões necessárias” antes de coletar esses dados. Além disso, a nova política também esclarece que outros dados, como “a natureza do áudio e o texto das palavras faladas na seção de ‘Conteúdo do usuário’”, também podem ser coletados automaticamente.

Existem vários motivos pelos quais o TikTok pode querer esse número expressivo de dados. Uma delas, claro, é a publicidade: a política de privacidade atualizada observa que, além de dados de rosto e voz, também pode coletar informações para fins “como identificar os objetos e cenários que aparecem”, o que é cada vez mais comum em anúncios personalizados. Outra possibilidade é o uso de dados de voz para habilitar um recurso de legendas automáticas.

Vale a pena ressaltar que esses dados relacionados a rosto e voz aparecem sob um novo cabeçalho dentro das novas políticas, em uma seção chamada “Informações que coletamos automaticamente”. Isso implica que o TikTok pode coletar esses dados sem que os usuários percebam ou sem que eles tenham autorizado previamente.

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Estados nos EUA têm leis distintas

No momento, apenas três estados nos EUA (Illinois, Texas e Washington) têm regulamentações explícitas sobre as maneiras como as empresas podem coletar dados biométricos, enquanto Nova York propôs uma lei semelhante no início deste ano. Nos 47 estados que não possuem tais restrições, nada impede o TikTok de coletar dados sem o consentimento explícito do usuário.

Apesar de ter caído na linha de fogo do governo de Donald Trump no ano passado, a maioria dos pesquisadores de segurança cibernética notou que o TikTok não é necessariamente uma ameaça quando comparado a outras empresas de tecnologia, como Google e Facebook — estas sim passaram a ficar na mira constante das autoridades. Mas não vamos esquecer que, há alguns meses, o TikTok pagou US$ 92 milhões (R$ 465 milhões na conversão direta) para resolver alegações de usuários em Illinois que acusavam a companhia de desrespeitar as leis de coleta de dados biométricos do estado.