Em maio de 2019, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu uma ordem executiva que proibiu várias empresas estrangeiras, incluindo a Huawei, de usar tecnologia americana em seus dispositivos. Nesta semana, Trump prorrogou essa ordem, proibindo efetivamente a Huawei de adquirir componentes de empresas americanas, como o Google, por mais um ano.

Ao utilizar o International Emergency Economic Powers Act (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, em tradução livre), Trump alegou que estava bloqueando empresas estrangeiras que poderiam representar uma ameaça à segurança dos EUA – principalmente as chinesas Huawei e ZTE.

Embora a ZTE tenha saído da lista depois de pagar multas pesadas por violar as sanções ao Irã (antes de enfrentar uma nova investigação sobre suborno), a Huawei parece ser um alvo maior – principalmente depois que Trump assinou a Secure and Trusted Communications Network Act (Lei de Redes de Comunicação Seguras e Confiáveis). Essa lei criou um fundo de bilhões de dólares que compensaria as operadoras rurais por “retirar e substituir” equipamentos de rede chineses da Huawei e da ZTE.

No entanto, graças a uma licença temporária emitida pelo Departamento de Comércio dos EUA (que foi prorrogada várias vezes durante o ano passado), a Huawei não foi completamente proibida de fazer negócios com empresas americanas. A Reuters informou que o Departamento de Comércio deve prorrogar essa licença novamente nesta sexta-feira, quando a licença atual expirar.

O maior efeito da proibição para a Huawei é que, embora possa continuar usando o Android em seus celulares – porque o Android é um sistema operacional gratuito e de código aberto – a companhia não tem acesso aos Serviços do Google, que inclui uma série de aplicativos e recursos, como o Google Maps,  Gmail, YouTube, ou a Google Play Store (entre outros aplicativos populares) em qualquer um de seus aparelhos.

Para ajudar a aliviar qualquer frustração dos clientes, particularmente na Europa e no Oriente Médio, que estão acostumados a baixar seus aplicativos favoritos a partir da Google Play Store, a Huawei investiu pesado em seu App Gallery, que é um lojinha de apps com curadoria da própria companhia. A Huawei afirma que alocou milhares de engenheiros para trabalhar com terceiros a fim de trazer aplicativos de grandes nomes como a BBC, WWE e outros para a sua loja.

E mesmo com a interrupção causada pela perda do acesso da Huawei à tecnologia americana e aos aplicativos do Google, as vendas de telefones da companhia permaneceram bastante fortes em 2019.

De acordo com a Counterpoint Research, a Huawei aumentou as vendas de celulares em 2019 em mais de 15% em relação ao ano anterior, chegando a um total de 238,5 milhões de unidades, garantindo a segunda colocação no mercado mundial de celulares – com 16% do marketshare. O número não fica tão abaixo dos 20% de participação da Samsung no mercado global, e logo à frente dos 13% da Apple.

No entanto, agora que a administração Trump prorrogou a proibição por mais um ano, e considerando que a proibição original só afetou Huawei durante a metade de 2019, resta saber quais serão as consequências daqui para frente. Mesmo com a proibição em vigor, uma desmontagem do último top de linha da Huawei – o P40 – pelo Financial Times mostrou que a companhia ainda estava usando tecnologia feita nos EUA em seus aparelhos.