Não parece, mas a Uber já está há cinco anos no mercado brasileiro. Para recordar a data, a companhia liberou alguns números da operação local. Chama a atenção o fato de a empresa relatar ter 22 milhões de usuários ativos no Brasil – isso é pouco mais de 10% da população brasileira (somos em 209 milhões). Nada mal para quem estava sendo alvo de violência de taxistas no começo, não?

Algumas outras curiosidades sobre a Uber nestes cinco anos de atuação por aqui:

  • A empresa tem mais de 600 mil motoristas parceiros;
  • No Brasil, já foram realizadas 2,6 bilhões de viagens. A empresa comemorou o marco de 1 bilhão de viagens em fevereiro de 2018;
  • 17 bilhões de km já foram percorridos de Uber desde 2014 no país;
  • Usuários já pagaram mais de R$ 35 milhões em valores extras aos motoristas parceiros, como forma de reconhecer um bom serviço;
  • Sexta-feira, às 19h, é o período em que mais acontecem viagens em todo o País.

Aliás, é engraçado que a companhia começou a aceitar pedidos de carro Brasil em 24 de maio de 2014, segundo o G1, e estreou oficialmente em 13 de junho.  No entanto, só nesta sexta-feira (19) que a empresa resolveu compartilhar os esses números.

Cinco anos nada fáceis

Óbvio que este período não foi fácil. A plataforma, como em outros países, chega com o serviço e só após um tempo consegue uma regulação para a atividade. Geralmente, a companhia estreia a modalidade Black, com carros de luxo, e, posteriormente, a UberX.

Lembro-me até hoje quando a Uber chegou em São Paulo com o serviço Black. A companhia tinha uma tradição de estrear a plataforma sempre com alguém famoso. Na ocasião, o primeiro veículo da modalidade Black teve como passageira a modelo Alessandra Ambrosio. No Rio de Janeiro, onde a empresa estreou sua operação local, rolou uma festa.

A empresa começou a ganhar maior notoriedade com a estreia do UberX em agosto de 2015. Além de oferecer viagens com preços mais acessíveis que o UberBlack, a categoria também possibilitou a entrada de motoristas com carros populares

Nessa época, se intensificou a briga com os taxistas, que criticavam o aplicativo por ser pirata e por não pagarem impostos. Então, era comum que taxistas agredissem verbalmente ou fisicamente motoristas de Uber. No fim das contas, todo esse barulho em torno da plataforma foi fazendo com que as pessoas conhecessem mais o serviço e causando um efeito contrário ao desejado pelos taxistas: muita gente passou a ter empatia pela empresa.

Em 2016, as prefeituras de diversas cidades começaram a entender que era um movimento sem volta e passaram a regulamentar serviços de aplicativo. Em São Paulo, uma das primeiras cidades, ficou estabelecido, por exemplo, o pagamento de uma taxa municipal.

Com os problemas reduzidos com taxistas, vieram os casos de violência tanto com passageiros como com motoristas. Era comum, por exemplo, criminosos fazerem uma armadilha para roubar carros ou até mesmo passageiros no UberPool (hoje conhecido como Uber Juntos). Após uma série de incidentes, a empresa anunciou uma central de segurança para melhorar o atendimento e tentar usar tecnologia para evitar problemas.

Neste cenário a Uber teve ainda a vantagem de se estabelecer no País em um momento econômico ruim. Dessa forma, trabalhar no aplicativo se transformou numa opção de renda para muita gente. Aliás, segundo dados do IBGE, o setor de transporte foi um dos que mais gerou emprego recentemente, graças a aplicativos como Uber e 99.

Atualmente, no Brasil e em outras partes do mundo, a luta dos motoristas é por condições melhores, já que muitos para poder lucra algo precisam de altas cargas de trabalho, além de terem de lidar com a falta de segurança nas cidades e a variação dos preços de combustível — aliás, com a abertura de capital da empresa, vários motoristas ao redor do mundo protestaram por melhores condições. No documento com detalhamentos sobre o IPO, a companhia, inclusive, cita o relacionamento com os condutores como um ponto de atenção para o seu futuro.

A Uber observa de perto a operação brasileira – o país já é o segundo mercado da empresa, perdendo apenas para os Estados Unidos. Além dos carros, a companhia está no ramo de entregas – com o Uber Eats – e no transporte de última milha (nos EUA, oferecem o aluguel de bicicletas elétricas e patinetes). Para o futuro, a companhia está se preparando para o uso de carros autônomos e transporte aéreo. Fico imaginando como a empresa vai lidar com essas centenas de milhares de motoristas com os veículos autônomos. A treta com os taxistas parece fichinha comparada a essa.