O longínquo (486958) 2014 MU69, apelidado de Ultima Thule, fez história no dia de Ano Novo ao se tornar o objeto mais distante já visitado por uma espaçonave. Como está situado no Cinturão de Kuiper, a cerca de 6,5 bilhões de quilômetros da Terra, os cientistas ainda estão aprendendo muita coisa sobre ele. Agora, novas imagens levantaram ainda mais questões sobre o objeto misterioso.

Sabia-se tão pouco sobre o MU69 antes do sobrevoo que a NASA não tinha certeza se ele era um único objeto ou, na verdade, dois objetos orbitando um ao redor do outro. Os cientistas descobriram a sua estrutura em forma de boneco de neve depois que a New Horizons começou a enviar imagens para a Terra. Na sexta-feira (8), a NASA divulgou um vídeo compilado usando mais de uma dúzia de imagens que mostram que o Ultima Thule pode realmente ser muito mais plano do que se pensava inicialmente.

As imagens foram capturadas no dia 1 de janeiro, a mais de 8 mil quilômetros do MU69, depois de a New Horizons ter passado rapidamente pelo objeto. De acordo com a NASA, os cientistas conseguiram deduzir a sua forma “traçando” a parte dessas imagens que bloqueava as estrelas no fundo, no lado que não estava claramente delineado pelo Sol.

Um lóbulo parece uma espécie de “noz” de forma estranha, disse a agência, enquanto o outro lado parece mais uma “panqueca”.

“Tivemos uma impressão do MU69 com base no número limitado de imagens retornadas nos dias em torno do sobrevoo, mas ver mais dados mudou significativamente nossa visão”, disse em um comunicado o investigador principal da missão, Alan Stern, do Southwest Research Institute.

“Seria mais próximo da realidade dizer que a forma do MU69 é mais plana, como uma panqueca”, acrescentou Stern. “Mas, mais importante ainda, as novas imagens estão criando quebra-cabeças científicos sobre como tal objeto poderia até mesmo ser formado. Nunca vimos algo assim orbitando o Sol.”

Embora a sonda New Horizons, da NASA, tenha passado pelo MU69 há mais de um mês, os cientistas da agência continuarão recebendo dados sobre o objeto durante mais de um ano (estimativas iniciais em torno do tempo de seu sobrevoo disseram que levaria cerca de 20 meses para a nave espacial transportar de volta a carga completa de imagens e outros dados científicos). E, como Stern disse em janeiro, os dados “vão ficar cada vez melhores”.

[NASA]