O distanciamento social adotado como forma de mitigar o contágio pelo novo coronavírus está sobrecarregando os provedores de internet — afinal de contas, sem poder sair de casa, muita gente apela para o streaming para se divertir. A União Europeia pediu que as empresas parem de oferecer conteúdo em alta definição, como forma de evitar o congestionamento de banda. A Netflix atendeu à solicitação, e YouTube e Amazon Prime Video também vão limitar a qualidade da imagem.

O YouTube disse que vai limitar os vídeos ao padrão SD (standard definition) pelos próximos 30 dias. A companhia tomou a decisão depois de um pedido de Thierry Breton, comissário da União Europeia para políticas digitais, feito ao CEO da Alphabet, Sundar Pichai, e à CEO do YouTube, Susan Wojcicki.



Um porta-voz do Prime Video declarou que a empresa está trabalhando com autoridades locais e com a União Europeia para limitar o bitrate (quantidade de bits por segundo de vídeo, que impacta o tamanho dos arquivos e a quantidade de banda usada) de suas séries e vídeos. Porém, não foram divulgados mais detalhes de qual seria a resolução máxima disponível e por qual período de tempo.

Os dois se juntam à Netflix, que já havia declarado que iria reduzir o consumo de dados em 25% após o pedido da União Europeia.

Outra empresa que pode impactar o consumo de internet é a Disney. Seu serviço de streaming, o Disney+, será lançado no dia 24 em alguns países europeus — Reino Unido, Irlanda, França, Espanha, Alemanha, Itália, Áustria e Suíça. Por enquanto, a empresa ainda não comentou o assunto.

Operadoras de telecomunicações europeias, como Vodafone e Deutsche Telekom relataram um pico no uso de suas infraestruturas. A Drei Austria disse que teve altas de 50% nas chamadas de voz e 15% em uso de dados desde que regiões do país foram colocadas em quarentena. A Orange, que atua na França, disse que o uso de mensageiros como o WhatsApp quintuplicou nas últimas semanas.

Com o distanciamento social, é possível ainda que muitas pessoas recorram a chamadas de vídeo, seja para reuniões profissionais ou seja para rever os amigos nestes tempos difíceis.

A preocupação é que o uso massivo de internet para streaming de filmes e séries atrapalhe outras atividades que dependem da rede. É o caso das aulas online para crianças e adolescentes que estão impossibilitados de ir à escola.

Mesmo com essa questão, a União Europeia recomendou que as operadoras não façam distinção entre usos essenciais e não-essenciais, pois isso feriria o princípio de neutralidade da rede, que diz que nenhum conteúdo deve ter seu tráfego limitado ou ter preferência em detrimento de outros. O bloco acredita que é possível achar uma solução em consenso com as empresas de streaming.