Há cerca de um século, a humanidade sonha com carros voadores. Inúmeros projetos surgiram nesse meio tempo, e apesar de arrecadarem pesados investimentos, nenhum conseguiu se tornar realidade. Um dos motivos é que pilotar um veículo desses é bem perigoso.

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Um carro voador caiu durante um voo de testes na Eslováquia. O Aeromobil era pilotado por Stefan Klein, cofundador da empresa que o criou. Klein conseguiu ativar o paraquedas do veículo, que aparentemente ajudou a aliviar a severidade do impacto.

Testemunhas perto do aeroporto Nitra Janíkovce dizem ter visto o carro voador cair girando antes de o paraquedas ser aberto. Klein foi levado para o hospital e liberado sem ferimentos graves. No entanto, o carro voador não teve tanta sorte: a julgar pelas fotos tiradas no local, o veículo sofreu danos bastante graves.

Acidente da Aeromobil (2)

A empresa diz em comunicado que acidentes fazem parte no processo de tornar realidade um veículo experimental. É verdade: o engenheiro Henry Smolinski faleceu em 1973 quando testava um protótipo de carro voador; em 2009, o mesmo destino abateu Michael Robert Dacre, que planejava criar uma frota de táxis voadores.

“Os dados detalhados e experiência global deste voo de teste serão cuidadosamente analisados, e os resultados serão utilizados na P&D e em melhorias no protótipo”, diz a empresa. Eles prometem que o protótipo 3.0 atual continuará a ser testado “após a substituição das peças danificadas”.


Aeromobil

A Aeromobil promete lançar seu carro voador em 2017. Ele teria um alcance de 1.500 km, ou três horas de voo, e conseguiria decolar e pousar em qualquer terreno longo com grama. Ele ainda teria quatro assentos, um piloto automático e um sistema de paraquedas para minimizar o efeito de acidentes.

Em março, ele até passou por um teste bem-sucedido:

“Daqui a dois anos”

A Aeromobil segue a tradição de outras empresas, como Terrafugia e Moller International, de prometer um carro voador funcional para “daqui a dois anos”. No caso delas, os anos se passam, mas o prazo não muda. Tome por exemplo o Terrafugia Transition: eis alguns prazos divulgados pela mídia a cada ano.

2008: “Em 2010, depois de três anos de desenvolvimento… o Transition estará disponível para consumidores por US$ 194.000.” (Fortune)

2009: “O Terrafugia Transition voou pela primeira vez em 5 de março. Daqui a dois anos… você poderá ter um em sua garagem.” (Associated Press)

2010: “A Terrafugia, com sede em Woburn, Mass., diz que planeja entregar seu carro-avião, o Transition, a consumidores até o final de 2011.” (Associated Press)

2012: “… seu protótipo de carro voador completou seu primeiro voo, deixando a empresa mais próxima de vender o carro voador no ano que vem.” (Associated Press)

2013: “A empresa diz que já recebeu 100 depósitos para o carro voador de US$ 279.000, e a produção está prevista para começar em 2015.” (Fox News)

2014: “A empresa criada no MIT vem trabalhando em dois tipos de carros: o Transition, que está previsto para ser lançado em meados de 2016…” (Boston Business Journal)

Terrafugia Transition

Vale notar que, desde 2011, a Terrafugia tem autorização da FAA (órgão americano que regula a aviação) e da NHTSA (órgão americano de segurança no trânsito) para seu veículo, e ainda assim não conseguiu lançá-lo.

A situação é pior quando se trata de Paul Moller, que prepara o Skycar há quase quatro décadas. Em 2003, sua empresa foi processada por emitir ações fraudulentas. Em 2013, ele tentou arrecadar US$ 958.000 através do Indiegogo para realizar seu projeto, mas não conseguiu nem US$ 30.000.

Talvez a humanidade não mereça carros voadores, afinal de contas.

Imagens por nitra.sme.sk, Aeromobil e Observe The Banana/Flickr