A Amazon e seu intrépido CEO, Jeff Bezos, não escondem o desejo de dominar outras indústrias. Viagem ao espaço? Ok! Área médica de cuidados de saúde? Ok. A próxima área que a companhia quer ter forte presença é o varejo físico.

A empresa agora está investido em um novo mercado: varejistas tradicionais que a Amazon sistematicamente “roubou” clientela nos últimos anos. Em entrevista à Reuters, a gigante do comércio eletrônico confirmou que lançaria uma nova linha de produtos para sua tecnologia de lojas sem caixas, que foi implementada nas várias versões das lojas Amazon Go.

Este é um movimento intrigante por uma série de razões. A maior delas é que as únicas empresas que podem se dar ao luxo de lançar esse tipo de tecnologia de varejo em nível empresarial nos EUA — como Walmart e Kroger — já deixaram bem claro que a Amazon é a última empresa com quem eles gostariam de trabalhar. De fato, após a Amazon se tornar a maior varejista do planeta, o Walmart anunciou uma parceria com a Microsoft, rival da Amazon, numa tentativa de causar algum revés para a empresa de Bezos na supremacia pelo varejo, com a ideia de criar concorrentes ao Amazon Go com tecnologia da Microsoft.

Segundo a Reuters, a tecnologia licenciada fará com que os compradores conectem seu cartão de crédito a uma catraca — com o logotipo “Just Walk Out Technology by Amazon” — na entrada da loja. Tudo o que esse comprador pegar durante sua excursão ao supermercado será colocado no seu “carrinho virtual” e depois faturado no cartão de crédito ao sair do mesmo conjunto de catracas. Cada uma das lojas equipadas com essa tecnologia também terá câmeras no teto destinadas a rastrear os movimentos de cada cliente em todas a loja (algo nada assustador) e sensores de peso para detectar quando um determinado item é retirado ou devolvido a uma prateleira.

Além de acabar com a concorrência com varejistas físicos oferecendo preços baixos e mecanismos de entrega até no mesmo dia, a tecnologia Go da Amazon tem outro problema menos evidente: o classismo. Como qualquer um pode dizer, as únicas pessoas que clamam por um futuro sem dinheiro são as de classe alta, com mais da metade das pessoas que fazem compras em lojas como o Amazon Go ganhando mais de US$ 100 mil por ano. Isso pode explicar por que os primeiros varejistas abordados pela Amazon são aqueles que se enquadram diretamente na categoria de serviços para pessoas com mais grana, como cinemas e aeroportos, informou a CNBC.

Do outro lado da moeda, as pessoas que não são tão abastadas enfrentam barreiras significativas para fazer compras nesses novos locais futuristas — o que levou a Filadélfia a se tornar a primeira cidade dos EUA a proibir lojas sem dinheiro há um ano, seguida por San Francisco, Nova York e o estado de Nova Jersey.

Mas, apesar da proibição de lojas sem dinheiro e da amarga rivalidade entre a Amazon e todo o cenário do varejo, parece que algumas empresas já lidam com fato de se tornarem parte da “órbita da Amazon”, com a Reuters confirmando que a empresa assinou “vários” acordos com clientes não identificados sobre licenças para sua tecnologia sem caixa. Entrar nesse ramo poderia ser uma maneira de essas lojas mergulharem num mercado estimado de US$ 50 bilhões para este tipo de varejo, sem ter que tentar competir com a Amazon.