No ano passado, pesquisadores ancoraram dispositivos de escuta subaquáticos no fundo do Mar de Beaufort, no Ártico, com o objetivo de estudar a área e saber o que se passou no fundo do oceano. Agora, os pesquisadores estão em uma jornada para puxar os aparelhos de volta à superfície e ver o que os dados podem nos ensinar sobre a crise climática.

Os dispositivos foram colocados em agosto de 2019 em uma viagem chamada Experimento de Termometria Acústica Ártica Coordenada. Desde então, os instrumentos vêm registrando sons subaquáticos, além de outros dados oceanográficos como temperaturas, concentrações de carbono e salinidade. A obra faz parte de um projeto internacional que visa medir as mudanças na temperatura média da Bacia do Ártico nos últimos 20 anos.

Os pesquisadores planejam usar as informações acústicas para medir com mais precisão o aquecimento do oceano. Uma vez que o som viaja mais rapidamente em água quente, os dados sobre o som no oceano podem dizer bastante sobre o quanto a água está esquentando.

Apesar do projeto estar em funcionamento há mais de um ano, a missão de resgate dos instrumentos foi planejada só recentemente. Cientistas da Guarda Costeira dos EUA planejaram originalmente recuperá-los em agosto, mas foram forçados a voltar devido a um incêndio elétrico no navio quebra-gelo. Em meados de outubro, 55 oficiais e cientistas embarcaram em um navio da Guarda Costeira norueguesa para terminar o trabalho. A viagem marca a primeira vez que pesquisadores noruegueses cruzaram o norte do Alasca em uma missão de pesquisa.

A equipe pretende recuperar três amarrações do fundo do mar. Segundo o Barents Observer, eles conseguiram obter uma delas até agora. Também não foi fácil: a operação para retirá-la da água durou dez horas no frio intenso do Ártico.

Os cientistas estão correndo contra o relógio para encontrar as outras amarras antes que suas baterias acabem. Esta linha do tempo é importante porque, para desenvolver uma imagem mais precisa de quando e de onde veio cada ponto de dados acústicos, eles precisarão fazer cálculos com base nas leituras de temperatura dos dispositivos e relógios atômicos que são incorporados aos instrumentos. No entanto, esses relógios atômicos estão programados para morrer em breve, o que pode tornar esses números muito mais difíceis de calcular com precisão.

Como as temperaturas continuam caindo no Ártico, as condições podem se tornar ainda mais difíceis. “A Guarda Costeira fará o possível para garantir que os ancoradouros e as informações que eles carregam sejam trazidos à terra com segurança”, disse Oliver Berdal, comandante da Guarda Costeira norueguesa, ao Barents Observer. “Porém, a operação deve ser realizada de maneira segura e sem grandes riscos para o pessoal e equipamentos”, completou.