Imagens recentes do segundo cometa interestelar conhecido por ter visitado o sistema solar parecem revelar um fragmento ou fragmentos que caem do seu núcleo.

O cometa 2l/Borisov fez certo barulho no meio do ano passado, quando os cientistas perceberam que ele tinha uma órbita hiperbólica — implicando que ele era um visitante de fora do sistema solar. Mas, ao contrário do primeiro visitante conhecido, Borisov permitiu uma inspeção mais próxima à medida que orbitava o Sol. Observações recentes revelaram que ele está perdendo matéria.

“Temos observado este cometa com telescópios espaciais há meses desde que ele foi descoberto”, disse David Jewitt, um astrônomo da UCLA, ao Gizmodo. “Acabamos de perceber esta mudança na aparência, que se dividiu em duas partes nesta semana”.

Uma imagem que Jewitt postou nesta quinta-feira (2) no Astronomer’s Telegram tirada com o telescópio espacial Hubble mostra o cometa como um objeto inteiriço já no dia 23 de março, mas que parece se dividir em duas partes até 28 de março.

No entanto, o cometa provavelmente não se dividiu ao meio, disse Jewitt. Outros cometas já mudaram de aparências antes; Borisov provavelmente acabou de perder um fragmento igual a menos de 1% de sua massa. Porém, esse pequeno fragmento é extremamente brilhante, o que os astrônomos acreditam ser devido ao fato de que era um pedaço de gelo antes não exposto e que agora se tornou extremamente ativo como resultado da energia do Sol.

A equipe de Jewiitt não é a única observar os fragmentos do cometa. Outro astrônomo postou no Astronomer’s Telegram evidências de um pequeno fragmento separando da rocha. Tudo isso se segue um par de explosões de cometa relatadas em 12 de março por uma equipe de astrônomos na Polônia.

O astrônomo amador Gennady Borisovv viu este visitante interestelar pela primeira vez em 30 de agosto de 2019, e os cientistas logo confirmaram como o segundo objeto interestelar conhecido (o primeiro foi o Oumuamua de 2017). Mas ao contrário do rochoso Oumuamua, o cometa Borisov parecia surpreendentemente familiar — isto é, como um cometa gelado do sistema solar com uma nuvem chamada de coma e uma cauda que, por acaso, chegou de fora do sistema solar.

Os cientistas têm rastreado o objeto com telescópios espaciais desde que ele passou próximo ao Sol em dezembro. Eles já aprenderam bastante sobre ele, disse Jewitt.

Estimativas iniciais sugeriam que Borisov era grande (talvez 8 km de diâmetro), mas observações posteriores fixaram seu raio em algumas centenas de metros. Tem uma composição semelhante aos cometas do sistema solar, com o gelo da água se transformando rapidamente em gás. Mas, segundo Jewitt, ele parece ter grãos de poeira maiores e mais monóxido de carbono do que os cometas do sistema solar.

O monóxido de carbono é um elemento volátil que de outra forma se sublimaria da superfície do cometa a partir da energia solar, mas não tinha acontecido no caso do Borisov. “Esta coisa tem estado num lugar frio por um longo período de tempo”, afirmou Jewitt.

Isso significa que Borisov está se desfazendo? Ainda não está claro. Jewitt espera que sim — primeiro, pois proporcionaria um baita show, mas também permitiria um maior conhecimento sobre a composição de seu núcleo e outras propriedade físicas.

Os cientistas continuam a monitorar o cometa Borisov. Como Jewitt, também esperamos que ele se desfaça em pedaços.