Tecnologia

Como a computação quântica e a inteligência artificial se relacionam

Inteligência artificial quântica está mais perto do que nunca e pode mudar para sempre o universo da computação; entenda
Imagem: IBM/Divulgação

A computação vai muito além dos conceitos tradicionais de hardware e software, que misturam teorias de engenharia, eletrônica, matemática e lógica. Há uma área específica que considera ainda as leis da física para resolver problemas complexos demais para as máquinas comuns: a computação quântica.

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Apesar de serem mais complexos e parecerem mais “poderosos”, os computadores quânticos não substituem os sistemas tradicionais. Ambas as máquinas têm funções únicas e permitem lidar com tarefas específicas. Hoje, empresas como a IBM trabalham para unir as duas soluções e reduzir bastante o surgimento de possíveis erros.

Há ainda esforços para utilizar a computação quântica na aceleração dos modelos de inteligência artificial. Nas linhas a seguir, você confere como o setor da tecnologia pode mudar totalmente nos próximos anos.

Como a computação quântica funciona

A computação clássica processa dados em um espaço binário baseado em bits, limitando o volume de informações que pode manipular e as decisões que pode tomar. Isso também é conhecido como processamento serial. Na computação quântica, porém, o processamento é multidimensional e medido em qubits.

Enquanto os bits clássicos de computador existem como 1s ou 0s, os qubits podem ser qualquer um deles — ou ambos, simultaneamente. Isso é fundamental para garantir as velocidades de processamento muito maiores, necessárias para simular a mecânica quântica a nível molecular.

Como em uma guitarra, os bits são parecidos com tocar uma nota de cada vez. Enquanto isso, os qubits equivalem a tocar várias notas juntas. Com qubits suficientes, os computadores quânticos podem, em teoria, ser milhões de vezes mais rápidos do que os PCs tradicionais mais rápidos de hoje.

Existem, porém, obstáculos significativos na computação quântica. O maior deles é que computadores quânticos precisam operar em laboratórios, onde a temperatura é controlada em detalhes. Quaisquer mudanças, mesmo as mais simples, podem criar “ruídos” que dificultam a obtenção de resultados precisos.

Diversas empresas estão investindo bastante dinheiro e capacidade intelectual para reduzir esse problema. Algumas delas são a IBM, a Microsoft e o Google, que buscam conquistar a computação quântica antes de todo mundo.

A jornada da IBM em direção à computação híbrida

A IBM, por exemplo, realizou em abril de 2024, em São Paulo, a primeira conferência de computação quântica da América Latina — na qual o Giz Brasil esteve presente. Lá, a empresa detalhou o roteiro de desenvolvimento da tecnologia, assim como os usos em diferentes indústrias, como finanças, exploração de gases e petróleo, e segurança digital.

Atualmente, o objetivo da IBM é reduzir a taxa de erros da computação quântica para encontrar resultados cada vez mais assertivos. A empresa estuda um algoritmo de aprendizado de máquina que executa instruções clássicas e quânticas, ao mesmo tempo.

Por meio de sistemas híbridos, é possível unir as vantagens da computação quântica na resolução de problemas altamente complexos, e da computação clássica com sua flexibilidade e acessibilidade.

Há ainda a ideia de unir computação quântica híbrida com inteligência artificial. Com máquinas mais poderosas e capazes de realizar cálculos mais complexos, assistentes virtuais baseados em IA podem passar a entender instruções de usuários logo de primeira. Ou personagens não jogáveis (NPCs) em videogames podem agir de forma ultrarrealista.

A inteligência artificial quântica está mais perto do que nunca

A computação quântica e a inteligência artificial andam lado a lado. Por meio de aprendizado profundo – método de IA que ensina computadores a processar dados de forma parecida com o cérebro humano -, será possível entender melhor como funciona a mecânica quântica.

Com mais conhecimento em mecânica quântica, vai dar para criar computadores totalmente realizados a ponto de superar os convencionais em reconhecimento de padrões de dados. Ou seja, uma tecnologia estimula o desenvolvimento da outra de maneira cíclica.

A Inteligência Artificial Quântica (QAI) usará novos algoritmos projetados pelo quantum com superpoderes resultando em modelos de IA muito mais poderosos. À medida que a QAI evolui, é possível esperar melhorias significativas na velocidade, eficiência e precisão da IA.

Os benefícios da inteligência artificial quântica

Em um primeiro momento, os benefícios serão colhidos por determinados setores, particularmente aqueles com necessidade de otimização. Porém, mais tarde, quando a QAI se tornar mais popular, quase todas as empresas precisarão ter uma estratégia para utilizar a tecnologia.

Um exemplo que já existe é uma parceria entre a IonQ e a Hyundai para pesquisar o uso da QAI no processamento de imagens como placas de trânsito.

Por enquanto, a IA ganha espaço por meio de ferramentas generativas, como o ChatGPT. Apesar da evolução da tecnologia ser bastante rápida, ainda existem os limites da computação clássica que, no futuro, podem ser eliminados pelo desenvolvimento quântico.

Especialistas do setor acreditam que a adoção da computação quântica deve acontecer de forma geral até o final desta década – ou seja, tudo pode mudar nos próximos cinco anos. Independente da IA, a computação quântica tem tudo para revolucionar a tecnologia. No entanto, juntamente com a inteligência artificial, a inovação pode se tornar um verdadeiro divisor de águas.

Murilo Tunholi

Murilo Tunholi

Jornalista especializado em tecnologia, jogos, entretenimento e ciência. Já passou por grandes redações do Brasil (TechTudo, Tecnoblog, Terra e Olhar Digital) e trabalhou com relações públicas e assessoria de imprensa na Theogames, atendendo à Blizzard Entertainment e mais clientes do mercado de videogames. É apaixonado pela cultura geek, música e produção de conteúdo. Nas horas vagas, é aspirante a artista marcial e cozinheiro.

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