Na tentativa de barrar as centenas de campanhas online de desinformação que têm acontecido nas semanas que antecedem a eleição presidencial estadunidense, o Facebook diz que está se preparando para usar um conjunto de ferramentas de moderação de postagens. Esse mesmo mecanismo, que a rede social costuma utilizar em locais classificados como “em risco”, já teria sido implantado no Sri Lanka e em Mianmar, disseram pessoas familiarizadas com o assunto ao Wall Street Journal.

De acordo com o WSJ, essas medidas incluem “uma desaceleração generalizada da disseminação de posts conforme estes começam a se tornar virais” e também “ajustes no feed de notícias para alterar os tipos de conteúdo visualizados pelos usuários”. O Facebook também pode diminuir o limite para o tipo de conteúdo que seus sistemas de moderação sinalizam como problemático.

Pessoas que conhecem o planejamento da companhia disseram que os chefes da empresa só usam essas ferramentas extremas em última instância, e que serão aplicadas no caso de violência relacionada às eleições ou outras circunstâncias terríveis. Alguns funcionários também se mostraram preocupados com as medidas, uma vez que poderiam suprimir discussões políticas legítimas e conteúdo viral de real importância.

O Facebook desenvolveu um pacote de ações de intervenção depois de enfrentar críticas generalizadas por lidar com o discurso de ódio violento contra os muçulmanos Rohingya em Mianmar. Em 2014, ativistas de direitos humanos imploraram ao Facebook para reprimir rumores inflamados e apelos à violência contra a minoria da população Rohingya.

Após anos de violência, êxodo em massa e milhares de mortes, a rede social admitiu em 2018 que demorou para agir e não “estava fazendo o suficiente para ajudar a impedir que nossa plataforma fosse usada para fomentar a divisão e incitar a violência offline”. A empresa se comprometeu a se preparar melhor para crises futuras e prontamente baniu várias figuras importantes que foram apontadas pelas Nações Unidas como cúmplices do genocídio.

“Passamos anos construindo eleições mais seguras. Aplicamos lições de eleições anteriores, contratamos especialistas e construímos novas equipes com experiência em diferentes áreas para nos prepararmos para vários cenários”, disse Andy Stone, porta-voz do Facebook.

Em setembro, Mark Zuckerberg admitiu que a eleição presidencial de novembro não será a mesma se comparada a eleições de anos anteriores, e disse que estava “preocupado com o fato de que nossa nação está tão dividida e os resultados das eleições levando dias ou até semanas para serem finalizados”. Segundo o CEO da rede social, as eleições podem aumentar o risco de protestos civis em todo o território dos Estados Unidos.

Para tentar evitar que isso aconteça, o Facebook anunciou no mês passado que não aceitaria novas inscrições de anúncios políticos uma semana antes do dia das eleições, e que planeja proibir quaisquer publicidades dessa natureza assim que a votação for encerrada. A empresa também disse que irá rotular declarações prematuras de vitória de qualquer um dos candidatos e incluir “informações específicas que a contagem ainda está em andamento e nenhum vencedor foi determinado”.

O vice-presidente de assuntos e comunicações globais do Facebook, Nick Clegg, disse recentemente que, até o momento, a empresa rejeitou 2,2 milhões de anúncios e retirou 120.000 postagens no Facebook e Instagram que tentavam “obstruir a votação” na eleição presidencial de 2020.

Mesmo com toda essa conversa sobre como preservar a integridade eleitoral, deve-se notar que o Facebook teve uma resposta bastante morna (quase nula) às mensagens inflamadas do presidente Donald Trump até agora. A plataforma não removeu um post em que Trump essencialmente defendia a fraude eleitoral; ele disse a seus partidários para votarem por correio e pessoalmente se não pudessem confirmar se suas cédulas foram contadas, o que seria quase impossível, já que, em muitos estados, os funcionários não fazem a contagem pelo correio antes das urnas.

O Facebook também se recusou a remover uma outra postagem em que Trump pedia às autoridades que abrissem fogo contra os manifestantes que protestavam contra a brutalidade policial em Minneapolis, dizendo que “quando o saque começa, o tiroteio começa”.

Quem mora nos EUA, é melhor se preparar para o que está por vir.