Você viu a história do menino de 5 anos que morreu depois de realizar último pedido nos braços do Papai Noel? Por aqui, ela foi publicada por veículos como a Veja São Paulo e O Tempo. A história de partir o coração foi lida por milhões de pessoas no mundo todo e se tornou viral no começo dessa semana quando passou a ser recontada por grandes veículos online. O único problema? Provavelmente é uma notícia falsa.

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Segundo a história, um garoto de 5 anos que não foi identificado estava em seus momentos finais num hospital e tinha um último desejo: ver o Papai Noel. Uma enfermeira chamou um Papai Noel profissional que conhecia: Eric Schmitt-Matzen, que correu para o hospital. O menino teve uma breve conversa sobre o paraíso antes de morrer nos braços do Papai Noel. No entanto, o pequeno jornal de Tennessee que publicou a história original, o Knoxville News Sentinel, se retratou.

“Desde a publicação, o News Sentinel fez investigações adicionais na tentativa de verificar independentemente a história de Schmitt-Matzen. Nós não conseguimos”, explicou o jornal.

A história

“Eles disseram que eu vou morrer”, disse o garotinho para o Papai Noel de acordo com a história que tem circulado. “Depois da minha morte, como vou saber para onde ir?”

“Quando você chegar lá, diga a eles que você é o duende número 1 do Papai Noel, e eu sei que eles deixarão você entrar”, respondeu o Papai Noel.

As últimas palavras do menino, segundo o Papai Noel/Schmitt-Matzen foram: “Papai Noel, você pode me ajudar?”. O garoto supostamente teria morrido bem ali, nos braços dele, enquanto a mãe correu para o quarto, chorando copiosamente.

“Não, não, não agora!” a mãe teria gritado, enquanto o Papai Noel entregou a criança. Estranhamente, Schmitt-Matzen disse ter ido embora o mais rápido que pode.

Onde estão as evidências?

Schmitt-Matzen, que é um Papai Noel profissional de 60 anos que parece “ter saído direto do Central Casting“, disse para diversos veículos de imprensa que ele simplesmente está tentando proteger a identidade da família envolvida com a história. Mas não é apenas o nome do garoto que é desconhecido. O Papai Noel não deu o nome do hospital, o nome da enfermeira que o chamou, nem mesmo o dia exato em que tudo aconteceu. Ele diz que “foi há cerca de um mês”.

Muitas pessoas começaram a apontar alguns furos da história, deixando claro que parece difícil que uma criança prestes a morrer consiga ter uma conversa coerente com outra pessoa e morrer momentos depois. Diversos veículos independentes, incluindo a Associated Press, tentaram confirmar a história e não conseguiram chegar a nada.

“A reportagem do News-Sentinel não possui detalhes sobre o garoto ou o hospital”, publicou a Associated Press na pequena nota que soltaram sobre a história. “Schmitt-Matzen não respondeu aos pedidos de comentários da Associated Press.”

Depois, a CNN entrou em contato com todos os hospitais da região e não conseguiu encontrar ninguém que corroborasse a história. O site Mediaite até observou os obituários da área procurando por “qualquer garoto perto dos 5 anos” e não achou nada. Até a esposa de Schmitt-Matzen aparentemente não estava em casa no dia em que a história aconteceu – que, de novo, aconteceu numa data que ele não consegue se lembrar direito.

A estação de notícias locais WBIR afirma ter verificado independentemente diversos detalhes da história, mas não revela quais foram os procedimentos. E alguns pontos mudaram novamente. Segundo a WBIR, tudo teria acontecido em algum momento do meio de outubro, embora não exista explicação do porquê uma criança teria pedido para ver o Papai Noel durante essa época. Também não há explicação do porquê o jornal que publicou a história original sentiu que precisava se retratar pela publicação, nem o porquê Schmitt-Matzen não contou para a CNN e Associated Press os detalhes que foram ditos à WBIR.

Estranhamente, a evidência apresentada na reportagem da WBIR simplesmente afirma que Schmitt-Matzen contou a amigos sobre o encontro, mas esse fato nunca esteve em pauta, para começo de conversa. Toda a história continua meio estranha, principalmente se observamos que as datas continuam mudando.

Cada evidência da suposta triste história vai apontando que tudo não passa de um boato.

[Knoxville News Sentinel]