O governo dos Estados Unidos concordou em não incluir a Xiaomi em uma lista cinza de empresas que teriam investimentos bloqueados no país. Com isso, a companhia chinesa está livre para fechar acordos com organizações sediadas nos EUA, revertendo uma decisão da última semana do governo do ex-presidente Donald Trump, que não autorizava tais negociações.

O caso ganhou projeção em janeiro deste ano, quando o Departamento de Defesa acusou a Xiaomi de ser uma “empresa militar comunista chinesa” (CCMC). Além da tensão diplomática entre os dois países, isso poderia ter custado milhares de dólares não apenas à Xiaomi, mas aos investidores estadunidenses, que poderiam ser obrigados a se desfazer de suas ações na companhia. Em resposta às possíveis retaliações, a Xiaomi processou o governo dos EUA.

Agora, ao que tudo indica, as coisas seguem para uma solução amigável. “Ambas as partes chegaram a um acordo sobre um caminho a seguir que resolveria este litígio sem a necessidade de instrução contestada”, diz o Departamento de Defesa em um documento conjunto com a Xiaomi enviado à corte dos Estados Unidos.

Está planejada a apresentação de uma nova proposta das duas entidades até o próximo dia 20 de maio, quando também devem ser anunciados os termos completos do acordo entre a Xiaomi e o governo americano.

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A inclusão da Xiaomi e de outras companhias asiáticas em uma lista cinza por autoridades dos EUA passou a ter mais destaque em novembro do ano passado, quando o então presidente Trump aprovou uma Ordem Executiva que tinha por objetivo “desestabilizar” empresas com supostos vínculos com os militares chineses.

Em janeiro de 2021, a Xiaomi contestou essa inclusão na tal lista, chamado a designação como algo “inconstitucional” e acusando os EUA de não fornecer evidências que sustentassem as alegações. “O Pentágono não forneceu nenhuma explicação para sua decisão de designar a Xiaomi como CCMC, muito menos identificar a base factual na qual a designação foi baseada”, disse a empresa na época, que também negou ligações com militares chineses.

Vale lembrar que a Huawei também processou os EUA por restrições semelhantes. Diferente da Xiaomi, a Huawei sofreu um baque muito maior, perdendo acesso a tecnologias de chips usados em smartphones e suporte ao sistema operacional Android.

[Bloomberg, The Verge]