A Microsoft precisou de algumas tentativas, mas finalmente acertou em cheio com o Surface Pro 3. Era o que queríamos do primeiro Surface, mas custando a partir de US$ 800, ele também é caro. O Surface 3 é a tentativa da Microsoft de apostar em um preço mais baixo – desta vez sem o fracassado Windows RT. Eu o experimentei, e gostei do que vi.

Em primeiro lugar, vamos tirar algo do caminho: o nome é um pouco estranho. Por que o Surface 3 está saindo quase um ano depois do Surface Pro 3? Por que não chamá-lo apenas de Surface 4 e depois lançar o Surface Pro 4? A Microsoft obviamente não tem problemas em saltar números: eles ignoraram o Windows 9 e foram direto para o 10.

Nomes à parte, temos aqui o Surface mais leve de todos, com apenas 621 g (contra 785 g do Pro 3). Ele possui tela de 10,8 polegadas com resolução 1920×1280 e proporção 3:2 (o Pro 3 tem 12 polegadas e 2160 x 1440 pixels). Embora menor, a tela é mais brilhante: o Surface 3 chega a 430 nits, contra 400 no Pro 3.

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Surface 3 à esquerda, Surface Pro 3 à direita

E ele será lançado com o Windows 8.1 completo, que receberá uma atualização gratuita para o Windows 10 quando ele for lançado no terceiro trimestre. Não, não há nenhum “Windows RT” desta vez – esse aí já morreu.

O Surface 3 usa o novo processador Intel Atom x7 quad-core de 1.6GHz (codinome Cedar Trail). Ele permite criar um híbrido de laptop e tablet, consegue rodar o Windows completo dispensando ventoinha, porém é muito menos potente que o Core M.

O novo tablet é mais fino do que o Surface Pro 3 (8,7 mm vs. 9,14 mm). Esperamos que sua bateria dure bastante, também: a Microsoft afirma que ele consegue reproduzir 10 horas de vídeo.

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O Surface 3 tem um kickstand embutido com três posições, para você encontrar o ângulo ideal na mesa ou no colo. Ele não vem com uma Surface Pen, mas você pode comprar a caneta stylus separadamente – o tablet é compatível. Também haverá versões com 4G embutido, por algum dinheiro a mais.

Há uma câmera de 8MP na parte traseira e outra de 3.5MP uma na parte frontal. O Surface também tem uma seleção decente de portas: uma USB 3.0 comum, uma Mini DisplayPort, um leitor de cartões microSD, uma entrada para fone de ouvido, e uma porta microUSB que transfere dados a velocidades de USB 2.0 e serve para carregamento.

Isso mesmo: o Surface 3 carrega via microUSB, dispensando a necessidade de um carregador proprietário. Que morram todos! Ele virá com uma fonte de alimentação de 13 watts para carregamento rápido – são 2,8 horas para uma carga completa – mas permite usar qualquer carregador USB. Se você estiver preso em um aeroporto e tiver esquecido seu carregador, haverá outras formas de manter o tablet funcionando.

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Ele tem uma nova capa com teclado e touchpad, que será vendida separadamente – mas quem adquirir o Surface provavelmente vai comprar a capa também. Eu passei bastante tempo digitando no teclado do Surface Pro 3, que eu considero ser muito bom, e eu posso dizer que a Type Cover do Surface 3 é visivelmente melhor, apesar de ser menor – o que é realmente impressionante.

A maior diferença é que as teclas têm mais espaço entre si, dão uma resposta melhor ao serem pressionadas, e são incríveis para se digitar. Eu consigo escrever palavras e frases com rapidez sem nenhum problema. Na verdade, comecei a rir um pouco enquanto eu me lembrava o quanto eu odiava digitar no teclado do primeiro Surface. Este novo é extremamente útil. O trackpad também dá uma resposta melhor ao ser pressionado, e tem uma textura muito legal que permite deslizar meu dedo com facilidade.

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Surface 3 à esquerda, Surface Pro 3 à direita

O Surface 3 roda programas tradicionais do Windows e apps Metro também, mas claro que ele não tem o poder de computação do Surface Pro 3. A linha Atom não tem a potência que o Core i5 e i7 oferece, e o Surface 3 tem menos RAM (especificações e preços seguem abaixo). Por isso, o Surface 3 é mais adequado para tarefas leves, seja para trabalho ou diversão: navegar na web, digitar textos, assistir vídeos, entre outros.

A boa notícia é que ele parecia fazer tudo isso muito bem. Eu só pude testá-lo por meia hora, mas durante esse tempo ele pareceu rápido e fluido. Apps abriam rapidamente, programas funcionaram de forma fluida, e a touchscreen respondia rápido aos comandos.

No geral, minhas impressões sobre o Surface 3 foram positivas. Ele realmente dá a impressão de ser muito menor e mais leve do que o Surface Pro 3 ou um ultrabook comum. Ele ainda parece grande se comparado a tablets, no entanto. Em relação ao Nexus 9, a um iPad, ou a tablets Sony Xperia, ele é definitivamente grande e pesado. Ainda assim, você poderia facilmente colocá-lo na mochila e esquecer que ele está lá.

Ele parece ser um ótimo laptop para tarefas básicas, e eu consigo vê-lo comendo um pouco das vendas de Chromebooks, ou sendo um substituto apto para laptops mais baratos.

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Capa de teclado para o Surface Pro 3 à esquerda, e para Surface 3 à direita

O Surface 3 vem em algumas configurações. Por US$ 500, você recebe 2 GB de RAM e 64 GB de armazenamento; por US$ 600, essas especificações dobram – são 4 GB de RAM e 128 GB de espaço. Essa segunda versão parece valer os cem dólares adicionais, porque a diferença entre 2 GB e 4 GB de memória é notável.

Você também pode adquirir versões 4G desses tablets, que custam US$ 100 a mais. Todas as versões acompanham um ano de Office 365 Personal gratuito, que inclui armazenamento no OneDrive e minutos no Skype.

Nós ainda não sabemos quanto a Type Cover vai custar, mas a capa de teclado do Pro 3 custa US$ 130.

O Surface 3 está em pré-venda nos EUA, e será lançado em 5 de maio.