O Xbox está me conquistando com o serviço Cloud Gaming em conjunto com o Xbox Game Pass, mas ainda há alguns problemas que precisam ser resolvidos. E eu te conto o porquê.

Originalmente chamado de Project xCloud, quando o serviço de streaming estava em período de testes, o Xbox Cloud Gaming foi lançado oficialmente em 15 de setembro. É mais um serviço de streaming de jogos na nuvem, como GeForce Now, Stadia e Shadow, permitindo jogar games via Wi-Fi ou conexão móvel. Não há downloads ou a necessidade de baixar atualizações – a única coisa salva é o aplicativo da plataforma para acessar os jogos.

Nem todos os títulos oferecidos no Xbox Game Pass são habilitados para nuvem, mas o catálogo já tem um número considerável: são 169 até agora, que é mais do que o dobro do tamanho da biblioteca do Stadia, mas bem menor em comparação aos mais de 650 jogos do GeForce Now.

E olha, não parece que os jogos na nuvem serão uma moda passageira. Vários desenvolvedores assinaram recentemente acordos com o Google para fazer títulos exclusivamente para o Stadia. A Nvidia acaba de lançar uma versão ChromeOS do GeForce Now. E até a Amazon está criando um serviço próprio de jogos em nuvem. Mas será que mais gente vai optar por jogar games em seus smartphones, em vez de um PC ou console? A verdade é que os jogos em nuvem envolvem opções, permitindo que você jogue onde e como quiser. Isso não é uma coisa ruim.

A Microsoft me forneceu um Galaxy Note 20 5G e um Razer Kishi para testar seu serviço de jogos em nuvem no Android – o que foi bom, porque eu prefiro um gamepad de smartphone a um controle normal. A experiência é bem parecida a usar um switch Nintendo.

Abrindo o aplicativo e analisando as opções disponíveis, fica claro que o Xbox Game Pass compensa os jogos que o Stadia, provavelmente seu principal concorrente, não oferece. Tacoma, Subnautica, Blair Witch, Afterparty, Journey to the Savage Planet – esses são alguns dos jogos que o Stadia não tem. E embora eu tenha cópias independentes para PC da maioria desses games, poder reproduzi-los no meu celular é uma boa novidade. Por outro lado, o Cloud Gaming com Xbox Game Pass não tem Borderlands 3, Doom Eternal, Red Dead Redemption 2 e outros títulos AAA. Tem muitos jogos populares, mas não me entenda mal: o Stadia tem mais jogos de tiro em primeira pessoa que eu gosto.

Talvez um grande problema (ou bônus, dependendo da sua rotina) é que o serviço é inteiramente baseado em assinatura. É ótimo para economizar dinheiro e ter acesso a uma grande biblioteca de títulos excelentes, mas também há algo atraente no modelo de negócios do Stadia. A plataforma do Google não exige assinatura mensal. Você compra o jogo imediatamente e pode mantê-lo e jogá-lo no seu smartphone, computador ou TV. Você não pode transmitir jogos para o celular sem uma assinatura e, se cancelá-la, não poderá mais acessar esse jogo, a menos que o compre imediatamente.

Eu não diria que um modelo é melhor que o outro. Com o Xbox Game Pass, você pode experimentar um jogo para ver se gosta antes de gastar US$ 30 ou mais no game inteiro. Se você joga mais de um punhado de jogos por mês, então definitivamente o Game Pass vale a pena. Mas de novo: você não precisa se inscrever para usar o Stadia no seu smartphone.

No entanto, o que mais me surpreendeu foi o desempenho do Cloud Gaming em relação ao Google Stadia. Não é perfeito, claro, e em alguns casos apresentou instabilidade. Embora eu estivesse conectado à minha rede Wi-Fi, com uma velocidade de download de mais de 300 Mbps, alguns jogos apresentavam atraso visual ou auditivo (ou os dois).

Crédito: Microsoft

Não é segredo para ninguém que os jogos que rodam diretamente na nuvem serão prejudicados em redes mais lentas, mas não havia motivo para Halo: Reach rodar com tanta latência a uma conexão tão boa. Reiniciar o aplicativo parecia resolver o problema, mas não foi o que aconteceu. Quando eu reiniciei o jogo, a música tema tocou suavemente, mas a tela inteira estava preta, exceto pelo logotipo de Halo no canto inferior direito.

Após um tempo, aparentemente, alguns engenheiros do Xbox fizeram algumas alterações e Halo passou a funcionar normalmente.

Tentei carregar outro jogo, Journey to the Savage Planet, e não tive problemas. O game funcionou bem e rodou sem problemas. O mesmo aconteceu com Forza Horizon 4 e alguns dos outros 13 games que experimentei em uma categoria chamada “Plays great on mobile” – algo como “Jogos com ótimo desempenho no celular”.

Outros games que experimentei que não estavam nessa categoria foram Blair Witch e Destiny 2 e, embora conseguisse carregá-los, demorou alguns minutos a mais que o esperado. Depois de carregados, eles rodaram de maneira satisfatória, exceto por um ou outro engasgo na performance.

O Cloud Gaming com o Xbox Game Pass tem as mesmas deficiências dos jogos em nuvem de qualquer outra plataforma. Problemas de rede ou servidor podem causar atraso e alta latência, longos tempos de carregamento e outras coisas que simplesmente não acontecem quando você joga um título que foi instalado diretamente em seu PC ou console. Quando os jogos na nuvem funcionam, eles funcionam bem. Mas quando não funcionam, a vontade que me dá é de atirar o smartphone pela janela.

Gosto da tecnologia e acho que essa é a principal razão pela qual a Microsoft tem uma carta na manga para se sobressair na próxima geração de console. Quando funciona, o Cloud Gaming com Xbox Game Pass é um serviço robusto e uma espécie de bônus para as pessoas que já são assinantes. Agora, como alguém que não assina o Game Pass, talvez seja um pouco menos atraente se comparado ao Stadia.

Em todo o caso, posso ver o Cloud Gaming como uma boa alternativa para pais que não querem ou não podem gastar milhares de dólares ou reais em um novo console para seus filhos. Aqueles de nós que estão acostumados com jogos de console ou PC por décadas, provavelmente não tratarão os games em nuvem como nossa principal forma de jogar. Contudo, é bom saber que teremos essa opção.