A Huawei tem aumentado suas vendas apesar das restrições impostas pelos Estados Unidos, segundo um comunicado publicado pela companhia nesta quarta-feira (16). A Huawei viu um aumento de receita de 24,4% para os últimos três trimestres do ano fiscal.

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos adicionou a Huawei à chamada “Lista de Entidades” em maio, proibindo que empresas americanas vendessem tecnologia aos chineses. Havia uma especulação generalizada de que a medida dificultaria o crescimento da Huawei, mas parece que não é o caso. Pelo menos por enquanto.

Os Estados Unidos estão preocupados principalmente com a instalação de infraestrutura da Huawei para o 5G ao redor do mundo, uma área que a empresa chinesa destacou em seu último comunicado à imprensa.

Até agora, a Huawei assinou mais de 60 contratos comerciais para o 5G com operadoras líderes ao redor do mundo e enviou mais de 400 mil unidades de antenas ativas (AAUs, na sigla em inglês) 5G para mercados globais. A produção e fornecimento da transmissão óptica, comunicações de dados e produtos de TI cresceram de forma estável.

Alguns países, como Austrália e Nova Zelândia, baniram a Huawei do desenvolvimento de suas redes 5G. Mas esses países provavelmente terão custos maiores para a construção da infraestrutura de telecomunicações, um luxo que países menos ricos não têm. Mesmo no Reino Unido, um país rico, ainda há muito equipamento da Huawei sendo usado para a implementação do 5G.

Nos últimos trimestres, a Huawei alertou que suas vendas de smartphone fora da China poderiam cair em até 40%. Mas, novamente, mesmo no negócio de celulares, a Huawei viu um crescimento.

Da Huawei:

Nas áreas de consumo, o negócio de smartphones da Huawei tem crescido constantemente. As remessas de smartphones da Huawei nos três primeiros trimestres de 2019 ultrapassaram 185 milhões de unidades, representando um aumento anual de 26%. A empresa também viu um rápido crescimento em outros novos negócios como PCs, tablets, wearables e produtos de áudio inteligente.

O governo dos EUA advertiu os aliados de que a Huawei está muito próxima de Pequim e que o fundador da empresa, Ren Zhengfei, trabalhou anteriormente com o Exército de Libertação do Povo. A filha de Ren, Meng Wanzhou, foi presa em Vancouver, no Canadá, a pedido de Trump, em dezembro de 2018, embora ainda esteja lutando contra a extradição para os EUA. O Departamento de Justiça dos EUA também tem uma ação judicial que acusa a Huawei de fraude e roubo de segredos comerciais.

Donald Trump tem cogitado remover restrições à Huawei em troca de termos favoráveis em um acordo comercial, mas ninguém sabe o quão sério isso pode ser. Por outro lado, a comunidade de inteligência dos EUA está preocupada com a Huawei em a temas relacionados a segurança nacional.

A Huawei afirmou em julho que as restrições dos EUA não haviam prejudicado seus negócios. Ainda é muito cedo para dizer o que o futuro reserva para a Huawei, mas o mercado é grande e há muitos clientes dispostos a comprar tecnologia mais barata. As restrições dos EUA podem não significar tanto quanto costumavam significar para uma empresa como a Huawei – que hoje é a maior de telecomunicações do mundo.