A Lua já foi atingida por foguetes em diversas ocasiões. Porém, até então, todos os impactos foram controlados — ou seja, resultados de um pouso mal feito ou colocados em rota de colisão com o satélite de maneira proposital. 

No último dia 4 de março, a Lua voltou a ser alvo. Mas, dessa vez sofreu um empurrão acidental. Pela primeira vez, um pedaço de lixo espacial foi de encontro ao satélite, deixando uma cratera dupla em sua superfície. 

A batida não foi registrada, mas o Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA, conseguiu captar imagens das consequências do impacto. Confira: 

Cratera Lua
Imagem: NASA/Goddard/Arizona State University/Reprodução

Formaram-se na Lua duas crateras, uma de 18 metros de diâmetro e outra sobreposta com 16 metros de diâmetro. O acidente ocorreu perto da Cratera Hertzsprung, no lado mais distante da Lua, como já havia sido previsto por pesquisadores. 

Em janeiro, o cientista Bill Gray chegou a sugerir que o objeto em rota de colisão com o satélite era o estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, lançado em 2015. Análises posteriores apontaram para um remanescente da missão lunar Chang’e 5-T1, comandada pela China em 2014.

As imagens devem ajudar os cientistas a confirmar a origem do detrito. Geralmente, os foguetes têm massa concentrada apenas na extremidade do motor, o que levaria a formação de apenas uma cratera na Lua. O impacto duplo aponta para um foguete com massa concentrada em ambas as extremidades. Tais detalhes devem apontar para o culpado com mais facilidade.