Já faz tempo que ouvimos falar da internet por satélite da SpaceX, a Starlink. E parece que agora o serviço está finalmente tomando forma. Em um e-mail, a empresa revelou os valores do seu programa beta: US$ 99 por mês mais US$ 499 pelo kit.

O e-mail foi enviado na segunda-feira (26) aos interessados que tinham se cadastrado no site da empresa e obtido pela CNBC. O programa se chama “Better than Nothing Beta”, ou “Melhor que Nada Beta” – um jeito bem-humorado de começar as coisas, mas também para ajustar as expectativas dos clientes.

“Como você pode ver pelo título, nós estamos tentando diminuir suas expectativas iniciais”, diz o e-mail. A equipe do Starlink diz que as velocidades podem variar entre 50 e 150 megabits por segundo e a latência deve ficar entre 20 e 40 milissegundos, além de evitar perdas de conectividade. Testes anteriores mostraram que a conexão passa dos 100 Mbps.

Eu tenho 60 megabits por fibra óptica em São Paulo, então essas velocidades não me parecem ruins. Para dar um pouco de contexto do mercado americano, AT&T e Spectrum têm planos de internet por cabo começando em 100 Mbps a US$ 50 mensais, e a velocidade média de download por banda larga no país é de 119 Mbps.

No entanto, o público-alvo da Starlink é outro: quem mora longe das grandes cidades, nas zonas rurais, onde a disponibilidade de internet não é tão boa. A média de velocidade de download móvel no país não chega a 30 Mpbs, então essa conexão já seria um avanço e tanto.

Além disso, tem o custo inicial de US$ 499 pelo Starlink Kit. Ele inclui um terminal para se conectar aos satélites, um tripé para montar o equipamento e um roteador Wi-Fi. A empresa também colocou seu aplicativo oficial na Play Store do Google e na App Store da Apple.

Este é o primeiro beta público da iniciativa de internet por satélite da SpaceX. Antes disso, os testes vinham sendo feitos apenas com funcionários da empresa. Como lembra a CNBC, o formulário para cadastro de interessados foi disponibilizado em junho, e Elon Musk, CEO da SpaceX, disse que 700 mil pessoas já tinham se cadastrado depois de dois meses.

Essa conectividade, porém, tem um preço que vai além dos valores pagos. Astrônomos já reclamaram que a Starlink atrapalha seu trabalho e seus equipamentos, e a ESA já teve que manobrar um de seus satélites para evitar uma colisão que não havia sido notificada. Levar internet de qualidade a mais pessoas é importante, mas resta saber como problemas desse tipo serão solucionados.