Desde que apoiadores do presidente Donald Trump invadiram o Capitólio (o Congresso dos EUA) há cerca de duas semanas, a grande maioria das plataformas sociais têm se esforçado para expulsar extremistas de direita, que têm usado esses serviços como uma rede de comunicação para criar e coordenar estratégias para atos terroristas. E o Telegram está entre elas: nesta segunda-feira (18), o CEO e fundador do aplicativo, Pavel Durov, disse que a ferramenta fechou “centenas de chamados públicos de violência” em canais criados por americanos.

Em postagem oficial no blog do Telegram, Durov afirmou que, embora os usuários dos EUA representem menos de 2% da base do app, a equipe de moderação da plataforma recebeu “um número maior de relatórios sobre atividades públicas relacionadas aos Estados Unidos” nos dias anteriores e posteriores o ataque ao Capitólio. Em resposta aos ataques, a equipe “agiu de forma decisiva ao reprimir canais dos EUA que defendiam a violência”.

“O Telegram aceita debates e protestos pacíficos, mas nossos Termos de Serviço proíbem explicitamente a publicação de chamados públicos à violência. Os movimentos civis em todo o mundo confiam no Telegram para defender os direitos humanos sem causar danos”, escreveu Durov.

O executivo também destacou que, desde a semana passada, um grupo de moderadores continua processando denúncias contra usuários que continuam postando conteúdos criminosos, e que seguirá na remoção dessas contas e grupos. Na semana passada, o Telegram já havia sinalizado que estava à procura desses conteúdos, apesar de reconhecer a dificuldade em banir tantos grupos extremistas.

Embora Durov tenha reconhecido que o Telegram removeu centenas de mensagens de incitação à violência, alegando que elas vão contra os termos de serviço da plataforma, sua postagem no blog falhou em mencionar como o aplicativo, que ganhou projeção por ser construído usando criptografia de ponta, seria examinado por moderadores de conteúdo no futuro. Isso se, de fato, for adotar algum tipo de moderação feita por humanos.

O ataque ao Capitólio forçou muitas plataformas sociais a finalmente confrontar ameaças violentas e o discurso de ódio provocado por essas postagens. Twitter, Facebook, Instagram, Snapchat, YouTube e Spotify são algumas das companhias que baniram Donald Trump e centenas de seguidores do republicano. Zello, um app de walkie-talkie, também tomou providências ao descobrir que a ferramenta foi amplamente usada por invasores do Congresso americano. E a Amazon cortou o acesso do Parler, aplicativo conhecido pelos posts de extrema direita, ao Amazon Web Services.