A companhia de voos espaciais Virgin Galactic, do bilionário Richard Branson, recebeu uma autorização oficial para incluir clientes pagantes em seus voos, o que é um marco importante para a empresa e também para o setor de turismo espacial.

Por outro lado, a Blue Origin, de Jeff Bezos, tentará seu primeiro lançamento tripulado do foguete New Shepard em julho, com o CEO da Amazon, e o vencedor de um leilão de $ 28 milhões a bordo. Bezos estava prestes a ser o primeiro a chegar no espaço, mas a notícia da licença da Virgin Galactic significa que, na verdade, essa chance pode ser de Richard Branson.

A licença anterior da Virgin Galactic autorizava a empresa a incluir apenas “cargas úteis científicas, experimentais ou inertes não implantadas” em seus voos. Os clientes pagantes eram proibidos até que eles pudessem “verificar o desempenho integrado do hardware de um veículo e de qualquer software em um ambiente de voo operacional”, de acordo com os regulamentos da FAA. O processo de verificação também precisava incluir testes de voo — o que foi atendido com sucesso.

Em um comunicado, a empresa afirma que esta é a primeira licença emitida pela FAA que permite que uma “linha espacial leve os clientes ao espaço”. Isso foi uma surpresa, dados os planos da Blue Origin de fazer o mesmo em breve, então entramos em contato com eles para perguntar sobre seu status de licenciamento. “Estamos progredindo em nossos planos estabelecidos com a FAA, com cronograma esperado alinhado ao nosso voo em 20 de julho”, explicou um porta-voz da Blue Origin por e-mail.

Isso parece ser um discurso corporativo por ainda não ter a permissão, mas, independentemente, este é um grande negócio para a Virgin Galactic, que deu o pontapé inicial no projeto em 2004 — e para a indústria do turismo espacial em geral. As notícias da licença atualizada fizeram o valor das ações da empresa subirem em até 15%, como Bloomberg relatou.

Porém, a Virgin Galactic teve uma jornada muito difícil até aqui. Em 2014, o VSS Enterprise, um veículo de teste da nave SpaceShipTwo, caiu durante um vôo, matando o co-piloto Michael Alsbury e ferindo gravemente o piloto Peter Siebold.

É preciso explicar que seu sistema não funciona como os foguetes convencionais, que são lançados verticalmente do solo. Ao invés disso, um avião espacial é elevado a grandes altitudes por um porta-aviões quadrimotor. Uma vez em alturas de cerca de 13,1 km, o avião espacial se solta e aciona seus motores de foguete, chegando a altitudes ligeiramente superiores a 95 km. O avião espacial permanece em subórbita por vários minutos e, por fim, desliza de volta para o espaçoporto, onde pousa em uma pista.

Durante seu teste de vôo mais recente, em 22 de maio, a VSS Unity atingiu uma altitude de 89,3 km. Isso é bom porque a FAA reconhece a fronteira do espaço a 80 km acima da Terra. Essa altura, no entanto, está abaixo da Linha Karman — que reconhece que o espaço começa 100 km acima da superfície. Alguns podem questionar, portanto, que os veículos da Virgin Galactic não estão realmente alcançando o espaço.

Ainda assim, o voo de teste de 22 de maio foi excepcionalmente bem e pavimentou o caminho para a atualização da FAA. Este foi o terceiro voo com tripulação da empresa e o primeiro do Spaceport America, no Novo México. As atualizações recentes do sistema funcionaram corretamente, e o voo foi capaz de incluir experimentos de pesquisa geradores de receita para a Nasa.

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A licença recém-atualizada e o teste bem-sucedido em 22 de maio “nos dão confiança à medida que avançamos em nosso primeiro vôo de teste com tripulação completa neste verão”, disse Michael Colglazier, CEO da Virgin Galactic, em um comunicado. A data de dois outros voos programados não foram divulgadas, mas já existem especulações de que Branson poderia participar do primeiro e que isso acontecerá antes que Jeff Bezos suba em seu foguete New Shepard. Nada está confirmado, então teremos que esperar para ver.