O WhatsApp anunciou em um blog post nesta quarta-feira (12) que atingiu a marca de 2 bilhões de usuários ativos da plataforma. Se fosse um país, os cidadãos do WhatsApp formariam o maior grupo de pessoas da Terra, superando China e Índia, que tem populações na casa dos 1,4 bilhão. A título de comparação, o Facebook atingiu a mesma marca em 2017.

Apesar do anúncio, a mensagem da plataforma não é necessariamente “olha como somos bons e atingimos 2 bilhões de usuários”, mas “são mais de 2 bilhões de pessoas no mundo se comunicando com criptografia de ponto a ponto”.

Diz a rede no blog post:

Nos dias de hoje, a proteção que a criptografia de ponta a ponta oferece é uma necessidade. Nós não abriremos mão da segurança porque isso deixaria as pessoas mais vulneráveis. Para garantir ainda mais proteção, trabalhamos com grandes especialistas em segurança e utilizamos tecnologias de ponta no setor para impedir o uso indevido de informações, além de oferecer controles e formas de denunciar problemas. Tudo isso sem sacrificar a privacidade dos nossos usuários.

O WhatsApp ainda informa que agora conta com uma página que dá detalhes sobre a privacidade do app e dá dicas de como não vacilar, como usar a proteção em duas etapas (o que pode ser uma boa para evitar clonagem de linha), usar as configurações de privacidade de grupo (inclusive evitar ser adicionado automaticamente a um grupo) ou usar biometria (FaceID ou TouchID, no caso dos aparelhos Apple) para proteger o acesso ao app.

Por que o foco em segurança?

Ué, mas por que o WhatsApp está falando assim, do nada sobre a importância da privacidade? Bem, como aponta o Engadget, isso tem relação com legisladores de várias partes do mundo — sobretudo EUA e Reino Unido — que querem ter uma espécie de “porta de entrada” para furar a segurança do aplicativo. Se você tiver 2 bilhões de pessoas defendendo sua causa, deve ser difícil conseguir que um governo siga adiante com isso, não?

Fora o desejo de governos de quererem quebrar a criptografia da rede, o WhatsApp também tem um papel importante para empreendedores, que vendem de tudo pela plataforma (sobretudo com a ajuda da versão WhatsApp Business), e recentemente em campanhas eleitorais.

Aliás, sobre este assunto, a rede ainda está sob escrutínio no Brasil, pois acabou admitindo que foi usada para envio em massa de informações durante o último pleito presidencial. Com o tempo, o WhatsApp passou a limitar o envio de mensagens em massa para coibir a prática, começando pela Índia e depois espalhando a funcionalidade para outros países.

No mais recente escândalo envolvendo a plataforma, o WhatsApp se viu em uma situação na qual o homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, foi possivelmente hackeado pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman por meio de uma mensagem no app.

Se o cara mais rico do mundo e que, em tese, manja uma coisa ou outra de tecnologia foi hackeado, imagine nós, pobres mortais.

Que além do compromisso com a privacidade, o WhatsApp também fique esperto com as tentativas de burlar o app e que não abuse do seu direito de colocar propaganda na plataforma.