Nós já falamos algumas vezes de como a disseminação de notícias falsas por usuários do WhatsApp na Índia já levou ao assassinato de pessoas. Dada a gravidade da situação e a preocupação das autoridades locais, o aplicativo conta agora com uma espécie de “central de queixas” no país asiático.

Por ora exclusiva para a Índia, a funcionalidade está incorporada no app e possibilitará que usuários entrem em contato por lá ou por e-mail com a pessoa responsável pelas queixas, no caso Komal Lahiri, diretora sênior de operações e localização do WhatsApp, que fica baseada nos Estados Unidos.

Afinal, o que significa exatamente o “alguém está digitando” em seu app de mensagens?
De olho no combate às fake news, WhatsApp vai limitar uso do recurso encaminhar

De acordo com o site indiano NDTV, a seção de perguntas e respostas (FAQ) do WhatsApp na Índia descreve a central de queixas da seguinte forma: “Vocês (usuários) podem entrar em contato com a central de queixas com reclamações ou preocupações, incluindo dúvidas sobre os termos de serviços e questões sobre sua conta”. Além disso, haverá uma seção do app em que autoridades poderão entrar em contato com o WhatsApp.

Essa nova medida do WhatsApp vem após uma visita do CEO do app, Chris Daniels, ao ministro de Tecnologia da Índia, Ravi Shankar Prasad, no mês passado. Na ocasião, Prasad solicitou que o WhatsApp encontrasse alguma forma de tentar detectar a origem de notícias falsas e que estabelecesse uma presença no país.

É difícil traçar a origem da disseminação de notícias falsas, uma vez que os conteúdos trocados pelo app são criptografados e o WhatsApp não deve enfraquecer esse recurso de segurança. Como parte do encontro com as autoridades indianas, ficou acordado que o app tomaria algum tipo de ação, que parece ser essa nova funcionalidade de queixas — consultado pelo NDTV, o WhatsApp não se pronunciou.

O WhatsApp tem muita relevância na Índia, que é o seu maior mercado, com mais de 200 milhões de usuários. Com a proximidade de eleições no próximo ano, as autoridades estão preocupadas com o mau uso da plataforma, que já fez com que pelo menos duas pessoas morressem após terem disseminado que elas eram sequestradoras de crianças (infelizmente, algo um pouco parecido com o que aconteceu no Brasil há alguns anos, só com o boato espalhado no Facebook).

Como na Índia, o Brasil é também um dos mercados relevantes para o WhatsApp. Por isso, é sempre bom ficar de olho com o que acontece em países onde o app tem grande presença. Ainda que estejamos em período eleitoral, por sorte, até o momento, só tivemos casos de desinformação pelo WhatsApp e que não levaram a grandes prejuízos no mundo real — como embates violentos no mundo real. Das piores consequências, podemos citar o problema das vacinas (correntes espalhadas pelo WhatsApp dizem de riscos que não existem). Porém, se as coisas piorarem, a empresa vai precisar fazer muito mais que pagar anúncios de jornal falando sobre fake news para ajudar no combate a esse problema.

[NDTV]