Na quarta-feira (27), o jornalista da BBC baseado em Moscou Will Vernon notou que a Apple parece ter cedido discretamente à posição da Rússia em relação à Crimeia redesenhando fronteiras nacionais na versão russa de seu aplicativo Maps e rotulando a região como “Rússia”. Quando visto dos EUA, a Crimeia é listada simplesmente como “Crimeia” e nenhum país de origem é dado para a península. Desde que a Rússia ocupou e anexou a península em 2014, a Crimeia ainda é reconhecida pela maioria das nações (incluindo os EUA e os da UE) como parte da Ucrânia.

Tradução: Acabei de checar no meu celular, é verdade! A Apple cedeu às exigências de Moscou de mostrar a Crimeia, anexada pela Ucrânia em 2014, como território russo. Crimeia e as cidades de Sevastopol e Simferopol agora são exibidas como território russo nos aplicativos de mapa e clima da Apple quando usados na Rússia.

O Gizmodo confirmou independentemente a mudança. Na captura de tela abaixo, a Crimeia está listada como: “República da Crimeia, Rússia”.

No site do State Duma, o Presidente do Comitê de Segurança e Controle de Corrupção, Vasilii Piskarev, disse que “a Apple cumpriu suas obrigações e adequou os aplicativos em seus dispositivos em conformidade com os requisitos da legislação russa”.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Vadym Prystaiko, tuitou em inglês para a Apple:

Deixe-me explicar em seus termos, @Apple. Imagine que você está gritando que seu design e ideias, anos de trabalho e parte do seu coração foram roubados pelo seu pior inimigo, e então ignorantes não dão a mínima para a sua dor. É assim que nos sentimos quando você chama a #Crimeia de território russo.

A Apple tem se aproximado gradualmente a uma política geral de submissão a regimes. Em 2017, a empresa removeu todos os principais aplicativos VPN da App Store na China, dizendo que eles não tinham escolha a não ser seguir a lei chinesa.

No mês passado, um grupo de legisladores bipartidários criticou a Apple por remover o HKMapLive, uma ferramenta para manifestantes pró-democracia em Hong Kong, na App Store. (Tim Cook defendeu a decisão em um memorando da empresa, alegando que o aplicativo, que coletava dados de grupos sobre movimentos policiais, havia sido usado “com intuito malicioso para atacar policiais individualmente e para vitimar indivíduos e propriedades onde não havia presença da polícia”.)

Ainda este ano, a Foreign Policy relatou que a Rússia havia obrigado a Apple a armazenar dados de usuários russos em servidores na Rússia – acrescentando que, seguindo a lei russa de contraterrorismo, ela seria forçada a descriptografar e entregar dados de usuários ao governo.

Em 2017, a Apple removeu o LinkedIn da App Store na Rússia e houve algumas especulações de que a empresa havia parado de atualizar o Telegram em silêncio após o pedido da Rússia de proibir o aplicativo. (Eventualmente, ela acabou fazendo as atualizações.)

A Apple não costuma falar sobre seus processos de tomada de decisão, mas precisará explicar esse. Entramos em contato com a empresa e atualizaremos a postagem se recebermos resposta.