Enviar satélites, foguetes e outras máquinas para a órbita terrestre se tornou uma prática comum nas últimas décadas. Não bastasse a quantidade exagerada de equipamentos, o disparo  desses aparelhos agora levanta outra questão: o lixo espacial causado por eles. Tanto é que, segundo uma pesquisa recente, os dejetos espaciais estão bloqueando nossa visão do resto do universo.

“Uma vez que existem objetos orbitando a Terra em todos os tipos de inclinações orbitais, realmente nenhum lugar está a salvo disso”, disse o diretor de políticas públicas da Associação Internacional para o Céu Noturno, John Barentine, ao jornal The Washington Post. Um relatório completo sobre essas observações foi publicado em março na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.

De acordo com pesquisadores, o aumento de dejetos no espaço pode ser percebido simplesmente ao olhar para o céu, que está cada vez mais brilhante. Isso acontece porque os pedaços antigos de satélites, foguetes e outra peças capturam a luz do sol e refletem uma quantidade proporcional ao seu tamanho para a Terra.

Estimativas apontam que a junção de todos esses objetos no espaço causam um aumento de 10% na iluminação do céu noturno, o que acaba atrapalhando a observação de locais mais distantes do nosso planeta. O problema pode até dificultar o estudo de galáxias para além da heliosfera — a região periférica do Sol que se estende para além do nosso Sistema Solar.

Além dessa questão envolvendo o lixo espacial que há anos está vagando a órbita terrestre, especialistas já mostram preocupação com empresas aqui na Terra que, a longo prazo, podem aumentar ainda mais a quantidade de dejetos especiais. Uma delas é a Startlink, empresa de internet banda larga da SpaceX. Desde 2018, a companhia de Elon Musk colocou mais de 1,3 mil satélite em órbita, e mais alguns estão a caminho.

Atualmente, existem aproximadamente 3,3 mil satélites operacionais em órbita, destinados para vários objetivos, como monitoramento, telecomunicações, navegação, entre outros.

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Mas nem tudo está perdido. Christoper Kyba, especialista em poluição luminosa do Centro de Pesquisa Alemão para Geociências, afirma que os engenheiros terrestres devem encontrar nos próximos anos uma solução para remover os detritos espaciais da órbita que não possuem mais utilidade a não ser poluir (e obstruir) nossa visão do universo. Resta saber quando essa solução vai chegar.

[The Washington Post, Futurism]